Hollywood, versão mórmon
Por Allan Sandars
Censurar
filmes até deixa-los “limpos” é um negócio em expansão nos estados Unidos, na terra dos ditos bons costumes.
Titanic, sem a nudez de Kate Winslet, O resgate do soldado Ryan , sem o sangue deixado nas praias da Normandia, Sherek, sem as brincadeiras apimentadas: assim seria os filmes que veríamos se dependesse da companhia CleanFlicks (leia filmes limpos), que vende um serviço bem original aos clientes que querem assistir filmes produzidos por Hollywood,mas que tem em mente seus “bons” costumes a zelar.Essa companhia está tornando-se uma potência graças a grande demanda no território note americano, que oferece um serviço que condiz as condições da sua clientela.Se eu quero ver um filme interessante mas que tenha cenas que ofende minha moral ou minha família, não tem problema a CleanFlicks edita o filme, tirando as cenas indesejadas!
Mas para quem pensa que a empresa está sozinha no mercado, engana-se pois já tem concorrentes que oferecem serviços similares no mercado; como a CleanPlay (leia limpador de filmes), que instala dispositivos especiais no seu DVD Player que bloqueiam cenas e sons indesejados.
Havia um processo rolando nos tribunais americanos contra a CleanFlicks por violação de propriedade intelectual que foi para o espaço;pois o Ato do Filme Familiar dá apoio a essa atividade, lei em prol da moral e dos bons costumes.Como se a empresa realmente importasse com esses valores.
É comum que fitas ganhem versões para serem exibidas em ambiente públicos e TV aberta, mas essas edições são combinadas com os produtores dos filmes que determinam até onde podem mexer sem alterar a obra.Mas o que está indignando os estúdios de Hollywood é que essas companhias não pedem permissão alguma.
Na verdade é que tipos de serviços desse escalão ganham forças quando paranóias coletivas dão base à leis que querem reger o que é ético, o que é moral o que é bom costume.Desde que o seio da cantora Janet Jackson ficou a descobertos por alguns segundos, numa transmissão de TV ao vivo em 2004, os moralistas de plantão regalaram os olhos a fiscalizar o que se passa no mundo artístico americano.
Revista Veja,5 de Outubro,2005.pagina 120
Mais críticas sobre Revista Veja