Embora se soubesse da existência dos índios guajás desde o inicio do século, os mesmos só foram achados pela Funai em 1973. Segundo o antropólogo Mércio Pereira Gomes, que ajudou a identificar os índios guajás na área Awá em 1980, é provável que eles sejam os últimos nômades brasileiros.
A aldeia Txipatxiá, localiza-se no município maranhense de Santa Inês, na divisa com o Pará.
Enquanto perambulavam pela Floresta Amazônica nus, sem falar português, em harmonia com a natureza como há 500 anos, os guajás da reserva Awá nem imaginavam quanto os brancos querem roubar esse espaço. Como não há demarcação oficial no território Awá, ele passou a ser cobiçado por agropecuaristas, madeireiros, empresários e políticos.
Na época que estes índios andarilhos foram descobertos, os mesmos somavam 600 homens e mulheres – três vezes mais que hoje, depois que os brancos lhe trouxeram enfermidades como a gripe, a malária, as verminoses, a tuberculose e as doenças de pele. Segundo a Funai : “Fixá-los foi uma alternativa para evitar o extermínio”.
Indefirentes aos problemas, os guajás ainda vivem de forma tradicional. Os homens caçam e pescam, as mulheres cuidam da aldeia, as crianças trepam em árvores e nadam entre os peixes punarés nos rios e os filhotes de animais circulam em volta das casas de madeira, chamadas de tupiris. Se os índios, por acidente, matam uma fêmea durante a caçada, trazem os filhotes para que as índias os alimentem e terminem de cria-los até que possam ser abatidos e comidos.
Nas noites de lua cheia, realizam o Karawarakaia, espécie de preparação espiritual para a caça, em que dançam vestidos com cocar e penas até o amanhecer.
Não existe cacique na aldeia Awá. A autoridade é a mulher mais velha da tribo, faz partos e remédios, batiza os bebês – sempre com nomes de pássaros e árvores. Desde que perdeu a fertilidade, ela cedeu o seu terceiro marido, Taitakuará, para a meta Yauatraí, então com 12 anos. O casal já tem dois filhos e todos moram com a matriarca.
Mais críticas sobre ÍNDIOS GUAJÁS – OS ÚLTIMOS NÔMADES - Revista Terra n°. 103