O último capítulo da conquista do planeta Terra terminou há 90 anos, com uma corrida de triunfo e morte entra um norueguês e um inglês – naquela que é considerada até hoje a pior viagem de todos os tempos.
Tudo começou em setembro de 1909, quando o norueguês Amundsen ouviu a notícia de que o americano Robert Peary pisou no teto do mundo, no exato instante em que colocava seus pulôveres na mala para ir justamente ao Pólo Norte. Imperturbável deu meio volta e decidiu enfrentar um território ainda mais inóspito, o congelado Pólo Sul. Imediatamente, comunicou o seu concorrente, o inglês Robert F. Scott, fato comum na época entre os exploradores. Para não perder o desafio, o inglês capitão da Marinha Real, reuniu cacife para a inclemente viagem ao fim do mundo.
Amundsen era um experiente explorador glacial e programou nos mínimos detalhes sua viagem. A comitiva nórdica partiu da Baía das Baleias, em 20 de outubro de 1911, para uma viagem de 1300 quilômetros sobre o gelo, só de ida. Inicialmente percorreram 150 km de trenó, os 1200 km seguintes foram através do reboque do cães nos seus esquis e o restante foi uma subida das encostas da montanha, o Pólo Sul, que fica a 3 mil metros de altitude em relação ao nível do mar.
No dia 14 de dezembro de 1911, Amundsen desfraldou no Pólo Sul a bandeira do seu pais. No seu retorno mandou sacrificar 34 cães, servindo de alimento para o 18 cães restantes para a sua volta. Tudo previamente planejado.
Scott e seus companheiros partiram da Ilha de Ross, 15 dias depois de Amundsen, exatamente no dia 5 de novembro de 1911. A expedição de Scott não era apenas aventureira e tinha cunho científico. Um grande erro foi cometido por Scott no planejamento da sua expedição, ao não confiar na tração canina como transporte ideal naquela região do mundo. Ainda confiava na força dos homens para puxar os trenós e na resistência dos pôneis para a ultima fase da viagem. Na sua viagem, Scott e seus companheiros enfrentaram fortes tempestades de neve, que mataram logo os pôneis e ia minando a resistência da expedição inglesa. No dia 16 de dezembro de 1911, Scott e sua comitiva chegou ao Pólo Sul, onde encontraram a tenda de Amundsen.
Com o moral abalado, o grupo iniciou imediatamente a longa viagem de volta, com uma insuficiente provisão de alimentos. O diário de Scott sobre a volta mortal é um angustiante relato de como, durante os dois meses seguintes, eles vagaram de um depósito a outro em busca de comida. No seu ultimo registro: “Todos os dias temos estado prontos para partir para o nosso depósito,mas fora da tenda continua o redemoinho de neve. Resistiremos até o fim, mas é claro que estamos ficando cada vez mais fracos e esse fim não pode demorar muito.
Só oito meses mais tarde, uma turma de socorro encontraria a tenda com os corpos. Os cadáveres ainda estavam dentro de sacos de dormir. O braço de Scott encobria seu diário e cartas de despedidas.
A tragédia de Scott, na disputa da conquista do pólo Sul, marcou tanto quanto a façanha de Amundsen. Seu diário, escrito até o último dia de sua vida, hoje é considerado um monumento para todos os exploradores.
Mais críticas sobre Antártida – Glória e Tragédia - Revista Terra – edição 115