BIOPIRATARIA: CRIME E PARANÓIA
pesar de ser apontada como uma das principais ameaças à soberania nacional, a biopirataria ainda não tem definição legal no país. As interpretações sobre o que é ou não biopirataria, conseqüentemente, variam entre fiscais, ambientalistas e pesquisadores. Em muitos casos, acaba confundida com tráfico de animais silvestres ou intercâmbio rotineiro de material científico, causando situações constrangedoras para pesquisadores e instituições.
O pesquisador Carlos Jared, do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantã, especialista em morfologia de répteis e anfíbios, foi flagrado no mês passado tentando enviar 13 onicóforos (pequenos invertebrados de aparência vermiforme) par um colega de pesquisa na Universidade de Dusseldorf, na Alemanha. O pacote foi interceptado pelos Correios de São Paulo e apreendido
pelo Ibama. O pesquisador foi autuado e multado pelo Ibama. Foi apenas uma irregularidade burocrática, defende o colega Hussam Zaher, pois a substância “tampão” na qual a maioria dos bichos estava imersa, inclusive, impossibilita qualquer análise de DNA.
O caso, entretanto, foi divulgado pelo Ibama como suspeita de biopirataria. Para Zaher, o termo está sendo usado como bandeira de marketing pelas autoridades ambientais. Tudo agora é biopirataria. “Querem chamar a atenção”.
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