Titanic
TITANIC
A partir do tema
TITANIC, discutiremos a relação deste assunto, o qual esteve circulando durante muito tempo nos meios de comunicação para as massas, com a questão da indústria cultural e juntamente com a definição de espiral do silêncio.
O termo indústria cultural refere-se a um modo de produção de bens simbólicos que surge em decorrência do avanço do capitalismo e como seu sustentáculo ideológico, ou seja, é portanto um sistema que produz bens para consumo, sendo assim, uma atividade material prática. Dentre os “produtos” que a indústria cultural oferece, encontram-se as telenovelas, as revistas em quadrinhos, video-clips, programas nativistas, telejornais e produções cinematográficas. Esses bens destinam-se a um consumo em larga escala e para um amplo mercado consumidor.
Segundo Marx, a indústria cultural se define como o “ópio do povo”, pois esta consiste em um instrumento totalitário, massificador e alienador das consciências.
Juntamente com a questão da indústria cultural, a espiral do silêncio é um importante mecanismo de dominação das massas, em que a opinião dominante age de tal forma que causa um silêncio tendencial e consequentemente gera a opinião dominada da massa.
Titanic, indústria cultural e a espiral do silêncio
O
filme Titanic já apareceu na mídia mesmo antes de ser lançado, atraindo a curiosidade das pessoas pela grandiosidade de sua produção. O público principal que foi (e vai) ao cinema assistir Titanic é o público feminino, que chega a assistir ao filme mais de 1 vez. 2 motivos explicam esse fato: o romance que desenrola no filme e se sobrepõe à tragédia, e o ator Leonardo Di Caprio.
O Titanic é um fenômeno cinematográfico que atingiu o mundo inteiro. As causas desse sucesso foram: a milionária superprodução de 243 milhões de dólares, o romance envolvente inserido numa história triste, e os atores que enlouqueceram seus fãs (especialmente Leonardo Di Caprio).
Seu sucesso e glamour foram fantásticos, chegando a levar 11 estatuetas do Oscar, só perdendo nas categorias de Melhor Atriz, Atriz Coadjuvante, Ator e Maquiagem.
O Titanic atingiu todas as mídias: TV, rádio, mídia impressa (revista, jornal) , busdoor, Internet, etc. De alguma maneira (ou de todas) o Titanic entrou em nossas vidas e fez parte de nossas conversas. Todos alguma vez comentaram ou criticaram algo sobre esse assunto.
Como que o Titanic entrou em todas as mídias?
Na TV, os principais noticiários mostravam reportagens sobre a produção do filme (Making Off), sobre a vida do ator Leonardo Di Caprio. Nas revistas e jornais, aconteceu o mesmo que na TV: reportagens sobre o fenômeno – filme e o fenômeno – Di Caprio. Nas rádios, a música – tema de Titanic, de Celine Dion, talvez tenha sido a mais tocada, e também apareciam comentários sobre o filme. Até as propagandas dos mais variados produtos utilizaram o Titanic para atrair consumidores. Há uma propaganda num Busdoor da rádio BoaNova, que tem uma foto do Titanic afundando e dizendo “Você? Ouça a rádio BoaNova!”.
A cantora Celine Dion vendeu seu CD como nunca. O ator Leonardo Di Caprio até aumentou seu cachê (e nem foi indicado ao Oscar).
O filme Titanic consistiu em um dos produtos da indústria cultural, talvez o mais rentável deles, sendo um produto para as massas vindo diretamente dos EUA, onde predomina a cultura de massa.
As produções cinematográficas americanas sempre foram rotuladas como “as melhores”, e constituíram-se na maior arma de guerra dos E.U.A., por onde difunde suas ideologias. Com o filme Titanic não foi diferente, pois este penetrou na cultura brasileira com seus valores agregados de melhor filme, melhores atores, melhor música, figurino, maquiagem, fotografia, enredo, produção, etc.
Inconscientemente, as pessoas recebem a cultura americana como sendo a nossa, por acharem que os E.U.A. é o melhor país do mundo, que tudo que vem de lá é melhor, sem questionar ou duvidar.
De acordo com o objetivo da indústria cultural, que é a dependência e a servidão dos homens, o filme Titanic constituiu na opinião dominante os seus valores agregados anteriormente citados no texto.
A partir disso, percebe-se que dentro do conceito de percepção, o qual está presente em todas as atitudes conscientes ou inconscientes do ser humano, o homem cria estereótipos e a partir deles cria “caminhos” para seguir suas ações, ou seja, relacionando isso com a repercussão do filme Titanic, percebe-se que o estereótipo de melhor filme, melhor produção foi inserido como opinião dominante e o público aceitou isso pacificamente, sem objeção, sem análise, alimentando o conformismo que substitui a consciência, sendo que esse conformismo destaca-se como o silêncio tendencial.
Observa-se que a partir do conformismo, a opinião dominante torna-se a opinião dominada na sociedade e, dificilmente, a opinião dominante é contestada devido ao silêncio tendencial. Esse silêncio raramente é rompido, pois a opinião dominante cria uma ilusão que “cega” a consciência do público. Pode-se notar que quando uma pessoa sai do silêncio tendencial, e assume uma opinião diferente da opinião dominante, essa atitude acaba chocando o restante da sociedade, pois esta já está muito influenciada pela indústria cultural. Foi o que aconteceu com o filme Titanic, em que pouquíssimas pessoas se mostraram contrárias à opinião dominante.
O fato do filme Titanic ter circulado por tanto tempo nos meios de comunicação se deve à sua rentabilidade, pois qualquer produto associado ao assunto Titanic tornava-se garantia de lucro.
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