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anatomia do Anus

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Resumo de : neft
Visitas : 961  palavras: 600   Publicado em: outubro 30, 2007
Anatomia do Anus
Um resgate histórico e cultural do cu.
 
Nunca entendi muito bem o asco, o preconceito, a cisma e a ironia grosseira que a humanidade, de um modo geral, vem dedicando ao cu. Outras partes do corpo, que também se escondem sob vestes e roupas, como os seios femininos, as nádegas e o pênis, por exemplo, são via de regra mostrada e exibida aqui e ali  com grande prazer e júbilo, servindo mesmo como obra de arte e mitologia. Mas ao cu só se devota desprezo e nojo.  Gostaria, pois, navegando rio acima, de dar ao cu a dignidade, o respeito, o zelo, o cuidado e a importância que ele merece de todos nós.  Um resgate histórico e cultural, pois o cu é discreto e tem nobreza.
         O cu é complexo. Mesmo desconsiderando as questões e os problemas vizinhos do colo iliopélvico, do sigmóide, do reto do ponto crítico de sudeck, da fita cólica distal, dos ramos epiplóicos das colunas, válvulas e criptas de Morgani, que dão feição, encaixe, suporte e armação ao cu, ele é complexo.  No aparelho esfincteriano, toda a circunferência do cu é ocupada pelo espaço perianal ou subcutâneo. O cu é a abertura para o exterior do canal anal. Quando fechado, tem o aspecto de fenda disposta no sentido ântero-posterior ou transversal e, quando aberto, o seu contorno é circular. Dois sulcos medianos aí se mostram: a rafe sacrococcígea e a rafe anobulbar ou ano-vaginal, na mulher. Segundo a descrição de Milligan e Morgan, o cu tem como limite inferior à linha anocutânea ou a linha branca de Hilton.
O cu é dotado também de papilas, minúsculas saliências ovalares da mucosa, às vezes mesmo imperceptíveis. E por todos os lados o cu é circundado por rica rede vascular comunicante, espessada túnica muscular, constituída pelos feixes fibromusculares elásticos e fibras lisas, formando um complexo aparelho regulador da continência do cocô e dos peidos. No entanto, por mais complexo que seja o cu, ele é prazeroso e todos no íntimo e no recato, o apreciam e valorizam.
         O grande Freud, como se sabe, chegou a mencionar e a estudar o chamado estágio ano-retal ou fase anal, da criança, como um dos mais importantes na definição posterior de sua personalidade adulta.
         Também para os que sofrem de incômoda e persistente prisão de ventre ou outros distúrbios gastrointestinais, quando o bolo fecal e os peidos chegam finalmente ao cu, depois de longo e penoso processo intestinal, experimentam (é o que se diz e o que se comenta reservadamente) grande prazer e alívio, vivendo um dia de otimismo e alegria, e com isso criando, à sua volta um ambiente ameno e agradável no lar e no trabalho.
         Por outro lado, o imaginário popular também utiliza o cu para exprimir sua profunda sabedoria quando usa expressões e provérbios tais como “Cu de bêbado não tem dono”, “Não se deve contar com o ovo no cu da galinha”, “se merda tivesse preço,  cu de pobre vivia entupido”, “Quanto mais se abaixa, mais o cu aparece”, “Quem tem cu tem medo”, ou expressões chulas como “cu do mundo” para significar um lugar feio, vergonhoso ou miserável. E o cu ainda tem a virtude de não ficar exposto por aí, como o rosto e outras partes do corpo humano, guardando-se e reservando-se sempre na intimidade de cuecas e calcinhas. O cu é discreto por natureza e cultura. Sem exagero, possui nobreza.

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