O influxo
nervoso circula através dos nervos sob a forma de sequências de impulso (com partida e chagada ritmadas), as quais
podem ascender ao milhar por segundo no ser humano. A célula nervosa ou neurónio actua como transformador da energia química que lhe é fornecida por alimentos em energia eléctrica que circula entre células de uma forma periódica.
Existem mensagens motoras, que se dirigem dos centros nervosos aos centros da periferia, e mensagens sensoriais, que recolhem as informações na periferia e as vão transmitir aos centros nervosos. O período refractário do nervo é o tempo que leva uma fibra nervosa a desfazer-se (milésimos de segundo), ou seja, o tempo que a mesma precisa de estar em repouso antes que possa transmitir um novo impulso.
O bom funcionamento de todas as células está também dependente da concentração iónica do meio salino interesticial, no qual os iões se encontram em concentração equilibrada (anião Cl-; catiões Na+, K+ e Ca2+). Qualquer alteração significativa na concentração de um deles, mantendo-se a dos outros, reflecte-se no funcionamento geral de todo o sistema
nervoso.
A maior parte dos nervos cranianos ou pares cranianos desempenham funções na produção vocal (Morrison, 1994). Estes nervos têm pontos de saída próprios em orifícios da base do crânio e dirigem-se para os respectivos órgãos.
O
V ou trigémio está ligado aos movimentos mandibulares.
O
VII ou facial é responsável pela expressão do rosto e pela gesticulação labial.
O
VIII ou auditivo actua como controlador sensitivo da
linguagem falada.
O
IX ou glosso-faríngeo aporta sensações à faringe e à cavidade oral posterior e funciona como nervo motor de alguns músculos do palato e faringe.
O
X ou vago é o dominador da zona laríngea; compreende vias aferentes e eferentes. O ramo superior laríngeo conduz as sensações à laringe e faringe e tem funções motoras relativamente ao músculo crico-tiroideu. Os restantes músculos intrínsecos laríngeos recebem enervação motora do nervo recorrente.
O
XI ou acessório age como nervo motor dos músculos trapézio e esterno-cleido-mastoideu.
O
XII é o nervo motor da língua.
Desta lista se depreende porque Morrison (1994) afirma que “
The true organ of speech and voice is the brain…”, e porque qualquer afecção dos nervos cranianos traz consequências drásticas para a fonação. A boa fonação está dependente da eficácia do sistema piramidal, do cerebelo e do sistema extra-piramidal.