Antes de falar sobre relacionamento de casal é necessária uma breve explicação sobre o título do artigo.
Em Grupos de Movimento, desenvolvidos em consultório e voltados a pacientes de terapia individual, constatamos que, durante os intervalos para o café ou mesmo nas reflexões fomentadas pelas dinâmicas de grupo, as conversas sempre recaíam sobre as dificuldades de encontrar outro amor após a separação.
Homens e mulheres inteligentes, interessantes e bonitos surgiam com a mesma queixa: “não consigo me apaixonar” ou “não encontro ninguém legal”.
Havia alguns que iniciavam um novo romance, mas conservavam um ar de insatisfação. Desses ouvíamos: “vou ficar com essa pessoa mesmo, é melhor assim que sozinho”, experimentavam tal medo de solidão e do vazio no peito que se submetiam a qualquer coisa. E, pior, mesmo sentindo que a situação não era satisfatória, colocavam tanta expectativa e tanta energia para o relacionamento dar certo que a outra pessoa, se sentido sufocada ou assustada diante de tanta pressão, ia embora.
A reflexão sobre isso nos levou a chamar esses padrões de comportamento e pensamento de síndrome “porquê comigo?”.
Nessa série de sete artigos você vai descobrir como a síndrome colabora para namoros e casamentos acabarem mais cedo. Também vai descobrir que é possível transformar crises de relacionamento em aprendizados e neutralizar a
síndrome.
Colaborou: Sueli E. Marinho. Publicado originalmente sob o título "Começar de novo", em "Viver Psicologia" (São Paulo), ano XII, 132:16-19, 2004.