O que é a síndrome “porquê comigo?” No passado tudo era muito claro e previsível: homens e mulheres conheciam-se, casavam-se e viviam felizes para sempre, ou melhor, viviam juntos para sempre, nem sempre felizes, mas era isso que se esperava deles e havia as compensações sociais pela manutenção do casamento, por mais insosso que ele estivesse.
A partir da segunda metade do século XX, entretanto, alguns padrões de relacionamento, foram questionados e rompidos. Hoje não nos submetemos tanto aos desejos tradicionais e repressores da sociedade ou da família e passamos a exigir mais dos relacionamentos amorosos.
O tempo passou, mas amar e ser amado continua sendo tão importante para a construção do autoconceito positivo das pessoas que ocupa quase 90% das queixas clínicas. A “síndrome porquê comigo?” representa um território novo e que deve ser explorado com muita delicadeza.
Na prática, a “síndrome porquê comigo?” significa: sei que um relacionamento nunca é como o anterior, mas eu não aceito isso.
Isso é tão óbvio que chega a ser irritante, todo mundo sabe disso e jura - de pés juntos que nunca mais vai fazer aquelas "burradas" de novo. Ledo engano, pois um dos principais sintomas da síndrome é, justamente, esperar, inconscientemente, que o novo relacionamento seja uma repetição do anterior - se ele foi muito bom.
Ou tentar reparar algo do antigo relacionamento - se ele foi muito ruim - no atual. E, por mais que se esforcem as pessoas se flagram reproduzindo os mesmos erros do passado.
Pessoas separadas há muito tempo consideram difícil "começar de novo", e a demora faz com que a síndrome ganhe mais força. O resultado é baixa auto-estima, sensação de inadequação social e ansiedade para ficar com alguém, a qualquer preço.
A saída é o reaprendizado relacional. Mas isso só ''e possível se a pessoa rever suas maneiras de se comunicar, de se relacionar e de compartilhar ações com os outros. Esses tópicos serão desenvolvidos nos próximos artigos.
Colaborou: Sueli E. Marinho. Publicado originalmente sob o título "Começar de novo", em "Viver Psicologia" (São Paulo), ano XII, 132:16-19, 2004.
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