Um casal simétrico ou complementar?
Bem, nosso casal hipotético passou por uma crise. Se tiverem
aprendido algo com isso, a tendência será, no futuro, tentarem estabelecer o mais claramente possível em que momentos e em quais situações cada um exercerá o poder.
Ou seja, nesse momento um dos dois falará em nome do casal, assumindo a responsabilidade pelo outro. Claro, não é algo nem fácil nem óbvio. Por vezes são necessárias muitas horas de terapia até aprender a falar, ouvir e respeitar o que outro está dizendo.
Na complexa rede tramada durante os relacionamentos homem–mulher duas formas são mais usualmente encontradas.
– As relações simétricas, que se baseiam na igualdade e minimização das diferenças, ou seja, um parceiro não exige submissão do outro (pense naqueles casamentos em que tanto pagamento de dívidas como compromissos sociais são discutidos e resolvidos em conjunto). É um tipo de relação inclusiva e eticamente comprometida.
Embora os parceiros aceitem-se mutuamente, havendo confiança e respeito recíprocos, é possível encontrar aspectos de competitividade que, se forem desvelados e discutidos, podem se tornar importantes aliados na manutenção da individualidade dos parceiros e ótimo antídoto para a monotonia e rotina massacrantes.
– E as relações
complementares. Nesses relacionamentos há a maximização da diferença entre os indivíduos. No tocante à tomada de decisões os elementos ocupam uma posição definida na relação, alguém decide e alguém obedece.
Utilizando discursos não-verbais cada um comunica ao outro o modo como espera que ele se comporte e aquele, por sua vez, pressupõe o que é esperado dele na relação e as respectivas definições de relação encaixam-se. Pense, por exemplo, em mulheres totalmente dependentes dos maridos.
Esse padrão tradicional de comportamento feminino encontra-se em muitos casamentos modernos e este modo de relacionar-se pode vir carregado de comprometimentos se não houver clareza nas regras que permeiam a situação.
Entretanto, a despeito do que possa parecer, essa combinação pode dar certo, desde que respeito e consideração sejam preservados. Para saber como essa história acaba leia o próximo artigo.
Colaborou Sueli E. Marinho. Publicado originalmente sob o título "Começar de novo", em "Viver Psicologia" (São Paulo), ano XII, 132:16-19, 2004.