HIPOGLICÉMIA
A hipoglicémia gera-se quando os valores das glicémias baixam muito. O nível a partir do qual aparecem
sintomas é variável mas em geral considera-se os 40mg/dl.
A hipoglicémia surge quer na diabetes tipo 1 quanto na diabetes tipo 2, sendo que as pessoas que estão a ser tratadas com
insulina e que mantêm um bom controlo metabólico, aquelas que com maior frequência desenvolvem este estado.
As sulfonilureias também podem determinar hipoglicémias e estas, mais prolongadas que as causadas pela insulina. As hipoglicémias causadas por anti-diabéticos orais são mais frequentes com sulfonilureias de 1ª geração.
FACTORES DESENCADEANTES E PREDISPONENTES DAS HiPOGLICÉMIAS
- Omissão ou atraso de uma refeição
- Excesso de insulina ou anti-diabéticos orais
- Exercício intenso
- Insuficiência renal ( a semi-vida plasmática da insulina está aumentada, pelo que a não redução da aministração de insulina exógena pode levar à uma hiperinsulinémia)
- Insuficiência supra-renal e déficit de homona de crescimento (GH)
MECANISMO FISIOPATOLÓGICO DAS HIPOGLICÉMIAS
Existem dois mecanismos que se desencadeiam quando a glicémia baixa:
1- Diminuição da libertação de insulina
2- Aumento das hormonas contra-reguladoras (glucagon) e das catecolaminas ( adrenalina e noradrenalina). O cortisol e a GH também aumentam, mas os seus efeitos hiperglicemiantes são a longo prazo
Os pacientes diabéticos estão desprotegidos da hipoglicémia já que não há possibilidade de reduzir a quantidade de insulina ou sulfonilureia uma vez administrada e, a resposta contra-reguladora vai-se danificando à medida que a doença progride.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DAS HIPOGLICÉMIAS
1- Sintomas Adrenérgicos:
.Sensação de fome e dores epigástricas
.Sudoração
.Palidez
.Nervosismo, palpitações e tremor
.Taquicardia
2- Sintomas Neuroglicopénicos:
.
Cefaleia.Diminuição da capacidade de concentração
.Alterações da fala
.Alterações do comportamento (irritabilidade, agressividade)
.Alterações do estado de consciência (obnubilação,confusão,coma)
As hipoglicémias devem ser
evitadas nas crianças porque o seu cérebro ainda se encontra em formação. Também devem ser evitadas no idoso porque neste há
dificuldades na circulação cerebral, pelo que a falta de glicose, agravará ainda mais o quadro neuroglicopénico.
Se a hipoglicémia ocorre durante a noite, pode manifestar-se como sudoração, pesadelos e cefaleia matutina ou de forma assintomática.
FORMAS CLÍNICAS DE HIPOGLICÉMIA
1- Hipoglicémia grave: quando o doente não é capaz de resolver por si mesmo este estado, necessitando de ajuda de outras pessoas.
2- Hipoglicémia moderada: o estado neurológico da paciente está alterado mas continua a ter o grau de alerta suficiente para se tratar.
3- Hipoglicémia leve: não afecta o estado neurológico do paciente, podendo este resolvê-lo sem dificuldades.
TRATAMENTO DA HIPOGLICÉMIA:
1- Paciente consciente:
.Hidratos de carbono de absorção rápida por
via oral (açúcar, líquidos açucarados, rebuçados)
2- Paciente inconsciente:
.Glucagon via sub-cutânea ou intra-muscular (família ou amigos);
.Administração intra-venosa de soro glicosilado (hospital)
.Hidratos de carbono (para repor as reversas de glicogénio no fígado)
Mais sinopses sobre COMPLICAÇÕES METABÓLICAS AGUDAS DA DIABETES II a hipoglicémia