“Bullying”: uma
violência
Nos tempos actuais, um dos temas que vem despertando o interesse dos professores e dos profissionais de saúde, em todo o mundo, é sem dúvida o do bullying escolar. O termo utilizado não tem propriamente tradução para a nossa língua mas, define-se como um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adoptado por um ou mais alunos contra outro(s), causando angústia, dor e sofrimento. Normalmente manifestam-se por insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, acusações injustas, actuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e tornam num inferno a vida de outros alunos. Muitos destes
sentem-se excluídos e sofrem danos físicos, psíquicos, morais e materiais provocados pelo comportamento bullying.
Este comportamento deve-se à carência afectiva, à ausência de limites e ao modo de afirmação de poder e autoridade dos pais sobre os filhos, por meio de práticas educativas que incluem maus - tratos físicos e explosões emocionais violentas
As consequências deste comportamento
desviante atinge a área mais preciosa, íntima e inviolável do ser humano. Envolve e vitimiza a criança na idade escolar, tornando-a ansiosa e emotiva e interfere negativamente nos seus processos de aprendizagem, devido
à excessiva mobilização de emoções de medo, de angústia e de raiva reprimida. A forte carga emocional traumática da experiência vivenciada, registada no subconsciente, poderá levar a sua mente a construções inconscientes de cadeias de pensamentos desorganizados. Naturalmente irão interferir na sua auto - percepção e auto - estima, comprometendo a sua capacidade de auto - superação na vida.
As consequências para as “vítimas” são graves e abrangentes, promovendo o desinteresse escolar, o deficit de concentração e aprendizagem, a quebra do rendimento, o absentismo e o abandono escolar. No que concerne à saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na auto - estima, o stress, os sintomas psicosomáticos, os transtornos
psicológicos, a depressão e, até o suicídio.
Para os “
agressores” ocorre o distanciamento e a falta de adaptação aos objectivos escolares, a super valorização da violência como
forma de obter poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, além da projecção de condutas violentas na idade adulta.. Para os alunos que são “espectadores” também sentem as repercussões deste comportamento socio – educacional,
dado que sentem insegurança, ansiedade, medo, stress....
É difícil identificar esta forma de violência por parte dos familiares e da Escola, dado que a “vítima” teme denunciar os seus agressores, com medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está a passar por situações humilhantes na escola ou porque não acreditarão nele. A sua denúncia seria interpretada pela “vítima” como uma confissão de fraqueza ou impotência de defesa. Os “agressores” valem-se da “lei do silêncio” e do terror que impôem às suas “vítimas”, bem como os “espectadores”, que receiam transformarem-se na próxima vítima.
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