O risco da banalização
O sexólogo e coordenador do Departamento de Medicina do Hospital Mater Dei, Gerson Lopes,
acredita que faz parte da juventude viver conflitos e novas experiências. No entanto, alerta que essa banalização do
beijo pode não ser positiva. “Quando começou a existir o ficar, o beijo foi perdendo o significado. Antes, era extremamente valorizado. Hoje, foi para o extremo oposto e isso é uma preocupação. Afinal, o beijo não dever ser algo descartável. Uma geração romanceava e a outra banaliza. Já ouvi jovens de 17 anos dizerem que quando lembram o nome da
menina é porque já estão de rolo.”
Para ele, esse é um reflexo de uma sociedade permissiva e consumista demais. Esse tipo de comportamento pode trazer conseqüências negativas como, por exemplo, a inversão de alguns valores. “O beijo não pode ser motivo de competição. A sexualidade não deve estar ligada à quantidade e sim à qualidade. E isso não pode ser levado para a vida adulta”, alerta. Um ponto a ser considerado também é a auto-estima e o saber se respeitar.
Gerson também lembra que, apesar de toda essa liberdade que a garotada prega, algumas máximas ainda são bem caretas e machistas. “A dupla moral ainda prevalece. A menina que beijou mais ainda é vista como galinha, enquanto o menino que beijou várias ainda é o orgulho do papai.”
Mariana Fonseca (jornalista)