CHAMPIX Assim que a medicação chegou ao Brasil, ou seja, em meados de 2007, corri as farmácias para comprar. Apesar do preço
alto, o cálculo para saúde me mostrou uma possibilidade de rentabilidade pelo possível sucesso no
tratamento. Fiz a primeira fase como manda a bula, já nesta fase a compulsão pelo cigarro foi diminuindo visivelmente, a ponto de simplesmente não mais me importar com o mesmo. Nota para o fato de que todas as outras compulsões diminuíram, a de comer doces, a de beber etc..realmente dentro do meu ceticismo tabagista fiquei impressionada, a medicação era potente e me mostrava o quanto sou quimicamente dependente e manipulável.Esta descoberta me abalou profundamente, pois descobri que parar de fumar não é uma questão de força de caráter como muitos dizem ,mas um exercício de humildade,ao perceber-se dependente e doente.Grandes gênios do mundo morreram com esta dependência. Dois meses de tratamento se passaram e o desejo de fumar também, porém não pude tomar a dose plena do medicamento por este estar com apenas um comprimido afetando drasticamente meu sono, meu horario biologico. A insônia não me incomodava, pois estava numa calma grande e sem nem um distúrbio no meu humor, mas a noite ficava acordada até as 5hs da madrugada lendo, mesmo com os olhos cansados, minha mente não parava de produzir pensamentos, botava metas para ler tantas paginas e depois dormir, mas mesmo assim era custoso dormir. Com esta mudança na qualidade do sono, não conseguia acordar de manhã nos horários habituais para o trabalho, isto começou a me assustar e então resolvi parar. Demorei uns 5 dias para voltar a dormir corretamente ,fiquei ainda sobre controle com o vicio durante dois meses, até que a recaída começou, mas não começou de uma forma compulsiva como das outras vezes começou lentamente. Perguntei Para vários médicos, e como nem um é especialista em tabagismo (nem sei se existe), a maioria apenas diz “é melhor esperar o remédio é muito novo”, outros querem receitar Zibam, outros ainda acham que com florais se resolve... aquela velha negação da realidade do vicio.Então meu ex- marido que é psiquiatra sugeriu que eu tentasse de novo, mas tomando um remédio adicional para dormir, isso seria pelo tempo necessário ao tratamento. PARTE II- Ca estou nesta segunda feira dia 21 de janeiro de 2008 começando pela segunda vez o tratamento com a droga. Pretendo ir escrevendo meu progresso para que mais pessoas possam se inspirar neste caminho.Triunfo na primeira fase do tratamento, algumas noites insones, pequenos zunidos no ouvido, mas concluída com êxito. Para os dias insones algumas gotinhas de “sonífero” e a insônia acabou, desta vez foi mais simples e menos assustadora a adaptação, ao contrario da outra vez estou dormindo mais, a vontade de fumar praticamente é inexistente, são aproximadamente 21 dias marquei a data e parar de fumar para depois do feriado dia 10, porém nem penso em repor.Minha carteira está no fim e estou com ela há cinco dias, me preparo para aprender a nova vida, uma vida sem o vicio propriamente dito e sem os hábitos comportamentais AGREGADOS A ELE: almoçar depois um café e um ou dois cigarros, sair para o Hapy para bebericar e fumar, ficar nervosa sair correndo acender o cigarro, ter uma satisfação e acender o cigarro para comemorar etc.. . São anos de comportamentos condicionados que certamente irão precisar de um bom tempo para ser banalizados na memória. Ha um espaço a ser percorrido, sem o qual não se terá êxito, persistência é a ordem da vez. A melhor parte desta história toda é que o Champix aguça nossa capacidade de sonhar, e dentro desta sintomatologia tenho todos os sonhos mega super incríveis, que colocariam no chinelo muitos diretores de cinema (risos). Estou escrevendo os tais dos sonhos bizarros para uma coletânea,mas devo dizer que eles tem tudo a ver com os conteúdos submersos.Será divertido, o nome do Livro será “ onírismo químico Mind Hollywood” .Gostaria de receber relatos de sonhos bizarros e incríveis para acrescentar no meu menu