Fármacos que reduzam ou bloqueiem a corrente
If, reduzindo a frequência cardíaca, terão um efeito potencialmente benéfico e preventivo de muitas complicações cardíacas. A corrente If é influenciada por estímulos, como o simpático e o parassimpático, que actuam em
receptores associados externamente aos outros canais iónicos, principalmente os de cálcio. Entre eles estão os receptores beta-adrenérgicos.
A estimulação de receptores beta, por exemplo pela noradrenalina, aumenta a corrente If; pelo contrário, ela é diminuída pela estimulação (por acetilcolina) de receptores colinérgicos muscarínicos. Assim, a acetilcolina diminui a frequência cardíaca, enquanto que o estímulo dos receptores beta-adrenérgicos leva a um aumento da frequência cardíaca. Este conhecimento levou ao desenvolvimento de fármacos designados por beta
bloqueadores e que têm sido utilizados, já há algumas décadas, para
diminuir a frequência cardíaca e assim minorar os seus
efeitos adversos.
Entre os beta-bloqueadores mais utilizados encontra-se o atenolol.
Contudo, a acção dos beta-bloqueadores não é directamente específica para a componente do
potencial de acção determinante da frequência cardíaca, além de que a sua administração pode desencadear diversos efeitos secundários.
Um exemplo é a vasoconstrição coronária, deveras prejudicial em situações de isquémia. Não menos importante é o facto de a administração de beta-bloqueadores ser potencialmente perigosa em indivíduos com diabetes, asma, perturbações da condução cardíaca e doença arterial periférica. O estudo da componente If e da estrutura do canal f na membrana das células do nódulo sinusal permitiu o desenvolvimento recente de um fármaco que interage com ele especificamente. Este fármaco, de nome Ivabradina, modula o canal f, bloqueando o fluxo de sódio e potássio, reduzindo assim a inclinação na despolarização diastólica, o que faz diminuir a frequência cardíaca. A Ivabradina apresenta muito menos efeitos adversos do que os beta-bloqueadores clássicos, sendo apenas de referir algumas perturbações visuais transitórias reversíveis numa pequena percentagem dos pacientes (quando iniciam a sua toma).
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