A AstraZeneca anunciou a aprovação de Seroquel (quetiapina) pela Anvisa, em outubro, para o tratamento do quadro depressivo no
transtorno bipolar. O medicamento já tinha sido
aprovado pela autoridade regulatória brasileira, em março, para o tratamento dos episódios de
mania (euforia) em pacientes
bipolares. Com a nova indicação, Seroquel passa a ser a único antipsicótico atípico aprovado para tratar ambas as fases do transtorno bipolar em monoterapia, isto é, sem a associação a outros medicamentos.
A aprovação foi baseada nos resultados dos estudos clínicos BOLDER (BipOLar DEpRession) I e II, que incluíram 1.045 pacientes com transtorno bipolar. Eles foram randomizados para receber placebo ou doses fixas de Seroquel (300mg ou 600mg) diariamente, durante oito semanas. A eficácia do produto foi comprovada com ambas as doses, mas nenhum benefício adicional foi associado à dosagem mais alta. Por isso, a dose recomendada é a de 300mg. Os pacientes que tomaram Seroquel tiveram uma melhora significativa dos sintomas depressivos e esse benefício se manteve durante as oito semanas do estudo.
“Com a aprovação de Seroquel para
depressão bipolar, os pacientes ganham uma opção terapêutica única e eficaz tanto para os episódios depressivos quanto os de euforia, o que deve aumentar a adesão ao tratamento” afirma José Eduardo Neves, diretor Médico da AstraZeneca Brasil.
O tratamento da depressão bipolar apresenta desafios importantes para os médicos. Os
antidepressivos, amplamente utilizados para tratar depressão maior, não são aprovados pelo FDA para tratar depressão
bipolar, uma vez que podem induzir quadros de euforia (mania). Quando administrados isoladamente, os antidepressivos podem desencadear um episódio de mania em 49% dos pacientes bipolares.
O problema é que muitos pacientes bipolares são confundidos com depressivos unipolares e tratados inadequadamente. Uma das razões que dificultam o diagnóstico é que os portadores de transtorno bipolar passam aproximadamente dois terços do tempo no quadro depressivo. Pesquisas apontam que 69% recebem o diagnóstico incorreto e demoram até 10 anos para descobrir que são bipolares.
De acordo com o estudo STEP-BD, publicado em Abril de 2007, antidepressivos-padrão associados a estabilizador de humor no tratamento da depressão bipolar apresentam o mesmo resultado de placebo associado a estabilizador de humor. Isso mostra, portanto, que não há aumento de eficácia antidepressiva com introdução de antidepressivos ao tratamento.
Já os estabilizadores de humor são administrados tanto nas fases de mania quanto de depressão bipolar, apesar de seus benefícios serem mais evidentes para o controle da euforia. Entretanto, um estudo publicado no
American Journal of Psychiatry mostrou que o estabilizador de humor mais usado registra redução progressiva da adesão ao tratamento.
Nesse contexto, a quetiapina aparece como uma nova alternativa para atender aos pacientes em ambas as fases do transtorno bipolar. Os estudos BOLDER apontam que Seroquel proporciona uma melhora nos dez parâmetros da depressão bipolar que compõem a escala MADRS (
Montgomery-Asberg Depression Rating Scale), que avalia sintomas como tristeza, distúrbios de sono, apetite, energia, concentração, cansaço e idéias de suicídio. Além disso, mais de 50% dos pacientes tiveram remissão da fase depressiva dentro de dois meses de tratamento. Também foi possível constatar uma redução expressiva nas idéias e tendências suicidas em comparação com o grupo que tomou placebo.
NR - O Seroquel já é o antipsicótico atípico mais prescrito nos Estados Unidos, aprovado em 1997 para o tratamento de esquizofrenia. Atualmente está disponível em 85 países para esta indicação. Seroquel foi aprovado no ano passado pelo FDA para tratar mania bipolar e, este ano, para depressão bipolar. No Brasil, Seroquel é o antipsicótico atípico mais prescrito e também aprovado pela ANVISA para ambas as fases do transtorno bipolar. Seroquel tem um perfil de segurança e eficácia bem estabelecido com mais de 25 milhões de pacientes já tratados no mundo nos últimos dez anos.
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