Quem pensa nas artes como
um produto do cérebro logo chega a outras questões. Por que o órgão mais complexo do corpo nos capacita a criar pinturas e poemas? Qual a função dessas atividades? Será que despender energia inventando batidas de tambor e desenhos para a caverna ajudou nossos ancestrais a sobreviver? Essas perguntas remetem ao naturalista inglês Charles Darwin e sua teoria da evolução. Darwin refletiu sobre
uma arte em especial – a música – e concluiu que ela teve papel evolutivo. Como a cauda nos pavões, ela nos ajudava a atrair o sexo oposto. Era uma ferramenta a mais do processo que Darwin chamou de "seleção sexual". Essa é uma de suas teses mais controvertidas. Para os cientistas que discordam, a arte é apenas um subproduto do aparato sensorial. O fato de alguns estímulos nos darem prazer fez com que inventássemos formas de ter acesso a eles repetidamente. Para o psicólogo canadense Steven Pinker, arte é um "doce mental" – dispensável mas saborosa. Ainda assim, Darwin pode estar certo? O fato de astros do rock, mesmo com as rugas de Mick Jagger, terem muito mais parceiras do que um homem comum seria uma confirmação da tese do papel da música na seleção sexual. Seria mesmo? Em parte sim, mas Jagger as atrai pela música, pela fama, pela riqueza ou pelo poder hipnótico sobre as massas? O debate continua. Só se sabe com certeza que, entre todos os grupos de hominídeos que disputavam recursos escassos na Idade do Gelo, o mais bem-sucedido foi o que encontrou tempo para decorar com pinturas as paredes das cavernas.
Fonte:http://veja.abril.com.br/260907/p_098.shtml
Mais sinopses sobre Arte e o cérebro