Nos últimos anos tem-se verificado
um interesse crescente nas origens das doenças crónicas nas primeiras fases da vida, um conceito muitas vezes referido como “programação”, dando origem a vários
estudos de investigação que relacionam a tendência para a
obesidade na juventude e na idade adulta com o tipo de alimentação efectuado na primeira infância. Um aumento rápido de peso na infância como factor de risco e a amamentação materna como factor protector para
uma eventual obesidade posterior tem sido exaustivamente e principalmente estudadas. A associação entre um rápido aumento de peso na infância e tendência para a obesidade ao longo da vida tem sido suportada por inúmeros estudos de observação, mas não através de estudos baseados em triagens de dados aleatórias. Verifica-se contudo uma forte associação, que sugere um efeito dose-resposta, a qual possui plausibilidade biológica, mas não é consistente entre estudos planeados. É de referir que o rápido aumento de peso na infância, como factor de risco para uma posterior obesidade, foi reproduzida experimentalmente em modelos animais, mas não em humanos. O efeito protectivo do aleitamento materno sobre a obesidade é também suportado por estudos baseados na pura observação, não existindo dados provenientes de estudos baseados em triagens aleatórias. Considerando factores residuais que potencialmente ocasionam confusão, a evidência actual é insuficiente para demonstrar a origem da obesidade durante a primeira infância ou para forçar uma mudança nas recomendações da saúde pública. Apesar disto, é prometedor o potencial efeito destes estudos para uma prevenção da obesidade durante o primeiro ano de vida.
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