Etimologicamente a palavra significa acumulação de capital decorrente de dois pressupostos: trabalho e produção. Muitos economistas buscam as origens do
capitalismo no século XVI, aquando da criação de
riqueza, resultante a actividade comercial. Nalguns estados
europeus, esta actividade era predominante, resultante do comércio colonial. É certo que
existia acumulação de capital, isto é, proprietários que possuíam riqueza decorrente directa ou indirectamente do exercício desta actividade. Mas, se o capitalismo comercial existia na Europa, traduzia-se apenas na exploração a que estavam sujeitas as colónias, na altura, pertencentes a Portugal (o pioneiro dos Descobrimentos) e a Espanha. Apesar disso, eram as regiões da Flandres e da Itália que mais beneficiavam do comércio. Os Estados Ibéricos, por motivos diferentes limitavam-se a serem intermediários neste processo. O regime político que vigorava, não dava possibilidade à
burguesia de explorar e proceder a investimentos e desenvolvimento interno. Os reis eram os detentores dos monopólios comerciais e, ofuscados com o dinheiro que existia em grande quantidade gastavam-no em festas luxuosas, num mundo irreal e, os países não desenvolviam a sua
economia interna. Eram ricos na aparência mas pobres porque compravam quase tudo no estrangeiro.
Outros economistas defendem que o capitalismo no verdadeiro sentido do termo surge com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, no século XVIII. Sem dúvida, que esta contribuiu para a criação de um capitalismo resultante dos princípios: trabalho, indústria, aliados ao desenvolvimento tecnológico e existência de mão de obra barata ( trabalho assalariado mal remunerado, com um número de horas de trabalho diário exaustivo) e uma burguesia activa e empreendedora. O processo de industrialização alastrou-se a outros estados europeus e tomou proporções de fortes investimentos, grande circulação fiduciária. Embora houvesse assimetrias no continente, alguns estados tornaram-se verdadeiros estados
capitalistas que evoluíram para uma outra noção de capitalismo - o capitalismo financeiro( foram criadas as estruturas necessárias para que as transacções pudessem realizar-se de um modo mais eficaz, como por exemplo o desenvolvimento bancário e outras actividades afins).
Mas a palavra capitalismo assume um sentido mais pertinente e ajustado
à realidade com Carl Marx nas suas obras literárias. Faz uma interpretação do que entende por capital, riqueza, burguesia em oposição ao proletariado. Defende a tese que o capitalismo é sem dúvida a acumulação de capital “nas mãos “ de uma burguesia que explora os operários, de diferentes modos: detém os meios de produção, paga salários miseráveis, não dá os direitos devidos aos operários e as condições de vida destes são o oposto das dos burgueses. Para Marx, o capitalismo é um meio para que o proletariado lute por melhores condições de vida e faça as reivindicações necessárias para participar na detenção dos meios de produção. Naturalmente, a sua tese pôs em causa muitos aspectos que existiam na sociedade capitalista de então.
O capitalismo assume um cariz diferente daquele que os economistas do século XVI lhe atribuíam. Chegou mesmo a fazer a distinção entre capitalistas e mercadores capitalistas. E, numa pequena dissertação sobre este assunto, defendeu a ideia de que o capitalismo surgiu muito antes do que se afirmava. Buscou as suas origens no período Pré- Histórico do Neolítico, quando surgiu a primeira divisão do trabalho e a acumulação de riqueza( capital), a partir da mesma época, quando os agricultores cultivam para sustento próprio e os pastores detêm a posse das cabeças de gado que criam. Chama-lhe “Acumulação Primitiva do Capital”
Sobre este assunto muito mais haveria para dizer, dado que o capitalismo dos séculos XIX e XX evoluiu. Passou de teoria meramente económica para se ligar a estruturas políticas e a desajustamentos sociais que mudaram o regime de certos países europeus.
Actualmente, não há colónias para explorar, mas o capitalismo persistiu, apesar das crises que se têm abatido sobre ele. Esteve e está ligado a fontes de energia que movimentam toda a máquina económica mundial. Desde o carvão, a electricidade, o petróleo ( só para citar algumas) são fundamentais para a economia mundial. Luta-se pela posse dos pontos estratégicos que possuam a energia necessária à produção e assistimos a violações dos direitos humanos apenas pela posse. Certos países são invadidos, sofrem com guerras violentas para “alimentar” o tal capitalismo embora com outras nuances.
Onde iremos parar? O planeta Terra está numa fase de profundo desgaste, deterioração. Que futuro para nós e para os vindouros? Parece que o capitalismo não serve as sociedades ocidentais. Notam-se as crises mais ou menos cíclicas que se têm vindo a verificar há umas décadas a esta parte. Será a velha Ásia a encontrar soluções?
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