A intenção deste artigo é mostrar que atos de
pedofilia não são, como muitos pensam, atos individuais, atos doentios e violentos
de pais, padrastos, conhecidos ou mesmo desconhecidos. Por trás destes atos individuais existem redes organizadas. Estudiosos defininem como uma verdadeira organização
criminosa que está muito além da
pedofilia apenas como um transtorno mental de quem a pratica que está sendo fomentado visando lucro.
Absurdamente, esta rede envolve crianças de 1 a 12 anos de idade. Na opinião do autor, se continuarmos encarando a pedofilia como uma coisa individual, se não forem feitas modificações nos orgãos responsáveis, a punição passa mais por um sentido simbólico do que a solução do problema.
Os casos registrados no mundo sobre estas redes de pedofilia estão longe de serem apenas um crime que lesa a liberdade individual da criança e no Brasil está inserido na lei como atentado violento ao pudor com violência presumida. Estatísticas revelam que estas redes estão envolvidas com sequestro, constrangimento ilegal, associação criminosa, lavagem de dinheiro e homicídios.
As redes de pedofilia através da internet desafiam qualquer legislação penal.
Alguns exemplos da atuação das redes de pedofilia na internet:
- Já foi descoberto casos em que o pedófilo abusava da criança em tempo real via internet e aceitava pedidos dos que estavam assistindo, que naturalmente pagavam por isso. O lucro dos administradores foi incalculável.
- Os clubes de pedófilos, altamente seletos e hierárquicos, são tão sofisticados que muitas das informações codificadas nos computadores encontrados em um caso não puderam ser recuperadas pelo alto grau de segurança do site. Do que pode ser codificado se encontraram mais de 1200 crianças abusadas com mais de 700 imagens e mais de 1800 horas de filmagens. As crianças ficavam segregadas de onde eram divulgadas as imagens na internet. Mais uma vez os lucros eram incalculáveis.
Desses dois casos noticiados, que devem corresponder a uma parcela pequena do que existe, já se poderia configurar que estas pessoas fazem tráfico de crianças. Do que se sabe, as redes têm pessoas que observam as crianças de acordo com o perfil que estão procurando e após identificar as crianças, as sequestram. As crianças, então, são vendidas a estas organizações.
O lucro destas operações, segundo apurado pelo World Society of Victimology, nos EUA, chega à cifra de 5 milhões de dólares por ano.
O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial dos sites dedicados à pedofilia.
Por isso, didaticamente estas redes podem ser classificadas como organização criminosa pelas seguintes características:
-Presença de atores pedófilos que aparecem nas imagens como abusadores;
-Presença de produtores e realizadores que contribuem economicamente para a seleção da criança;
-Presença de agentes técnicos que editam o material pornográfico;
-Presença de distribuidores deste material no mercado destinado a consumidores.
Cabe salientar que muitos dos envolvidos nestes crimes não têm transtorno mental, nâo tem características pedófilas, mas fazem isso para fins lucrativos.
Tais circunstâncias descritas acima vem provocando uma discussão sobre responsabilidade penal.
A internet veio meios utilizados anteriormente como revistas e vídeos e vem possibilitando a criação de uma rede internacional de pedofilia.
Nós não podemos deixar de ter em mente o efetivo desenvolvimento psíquico de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.
Nas palavras do autor: " ...o mais grave vem a ser a constatação das inúmeras vítimas crianças que participam desta rede como mero objetos utilitários, assassinadas em sua alma, em sua essência humana e muitas vezes assassinadas no sentido literal da palavra".