Independência na América A independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa, a difusão das idéias iluministas, a expansão napoleônica e o crescimento do comércio marítimo inglês enfraquecem o
controle colonial e estimulam movimentos pela independência nas colônias da América Central e do Sul, a partir do final do século XVIII.
Crise do colonialismo – Embora separada por algumas décadas, a independência dos Estados Unidos e a dos países da América espanhola inserem-se no mesmo contexto de ascensão da burguesia e de mudanças políticas radicais. Essas mudanças serão introduzidas, entre os séculos XVIII e XIX, pela influência do pensamento iluminista francês e do liberalismo inglês.
Antecedentes – Espanha e Portugal, as principais potências coloniais na América, procuram revitalizar a estrutura colonial por meio do protecionismo econômico e da difusão da cultura européia e do catolicismo. Essas medidas se chocam com os interesses econômicos da Inglaterra, França e Estados Unidos, que pretendem o livre comércio e novos mercados para seus produtos industriais. Nas colônias cresce o sentimento de identificação nacional e o movimento de emancipação inspirado nos ideais de liberdade e igualdade de direitos importados da Revolução Francesa.
Influência inglesa – Enquanto a França e a Espanha são aliadas, a Inglaterra tenta conquistar a região do Prata, entre 1806 e 1807, e apóia os autonomistas da Capitania Geral de Caracas, chefiados por Francisco Miranda. Com a invasão da Espanha por Napoleão, os britânicos aliam-se à resistência espanhola mas procuram se manter neutros aos movimentos da região até 1814, quando
passam a fazer a mediação dos conflitos das colônias. O apoio da Inglaterra às nações americanas que se tornam independentes tem como objetivo o controle do comércio da região. Isso impede que outros países europeus auxiliem a Espanha na luta contra os “patriotas” e fortalece a Doutrina Monroe, de 1823, contrária à intervenção européia na América.
Formação dos Estados Unidos Em 1777, um ano depois da independência, cada um dos 13 Estados norte-americanos substitui seus estatutos coloniais por constituições próprias que garantem a soberania do povo, a divisão de poderes, a elegibilidade dos cargos públicos e a separação da igreja do Estado.
República norte-americana – Em 1787 os Estados concordam, na Convenção de Filadélfia, em estabelecer uma República federativa presidencialista, cujo texto constitucional só entra em vigor em 1789. A Constituição garante a divisão de poderes e um sistema de controle mútuo. Os assuntos relacionados à defesa, moeda e assuntos externos são de competência do governo federal, enquanto os demais são incumbência dos Estados.
Conquista do Oeste – É estimulada desde o governo de George Washington (1789-1796), que oferece facilidades, como preços baixos para as
terras conquistadas e prêmios aos pioneiros. Milhares de colonos organizam caravanas e passam a enfrentar os índios da região tomando suas terras. Antes da expansão existem cerca de 1 milhão de índios no Oeste norte-americano. Em 1860 a população indígena está reduzida a cerca de 300 mil, que passam a viver em reservas oficiais.
Independência dos EUA A Independência dos Estados Unidos destrói a unidade do sistema colonial, colaborando decisivamente para a derrocada do Antigo Regime. As 13 colônias, estabelecidas a partir do século XVII no território norte-americano, contam, nas últimas décadas do século XVIII, com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro – Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey e Delaware – e no
norte – Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut – europeus exilados por motivos políticos ou religiosos vivem em pequenas e médias propriedades. Embora a Inglaterra proíba o estabelecimento de manufaturas nas colônias, a incipiente indústria do centro-norte não é incomodada pelas autoridades, pois não compete com o comércio da metrópole.
No Sul – Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia – predomina a grande propriedade rural, ocupada pela monocultura dirigida à exportação e tocada pela mão-de-obra escrava, com pouco espaço para o trabalho livre. Os nortistas, no entanto, atravessam as fronteiras e concorrem com o comércio metropolitano, levando a Inglaterra a endurecer a política com as colônias.
Influência da Guerra dos Sete Anos – Travada de 1756 a 1763 entre a Inglaterra e a França e vencida pelos ingleses, transfere para a Coroa britânica a maioria das possessões francesas, incluindo as terras situadas na América, a oeste das 13 colônias. Como os colonos norte-americanos não haviam contribuído para o esforço militar inglês, o Parlamento decide cobrar deles os custos da guerra, aumentando as taxas e reforçando os direitos da Coroa no continente.
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