O Sudoku, as Palavras Cruzadas ou o Tetris figuram sem dúvida no panteão dos jogos de lógica mais famosos do mundo, mas estão longe da febre de popularidade que há quase 30
anos varreu cidades, países e continentes. Em 1982, cerca de um oitavo da população mundial vivia intensamente obcecada por um pequeno
objecto multicolor: o
Cubo Mágico.
RUBICÃO POR NATUREZAFoi em 1974 que o arquitecto húngaro Ernõ Rubik idealizou e construiu um cubo constituído por cubos mais pequenos, agrupados em camadas rotativas independentes. Para Rubik, tratava-se de um mero passatempo, uma forma de exteriorizar a paixão que desde muito cedo nutria pela relação entre as formas geométricas e o espaço tridimensional.
Contudo, o fascínio pela infinidade de
movimentos possíveis no objecto que criara rapidamente deu lugar à incredulidade, já que, por mais que tentasse, Rubik não conseguia voltar a colocar as faces do cubo na posição inicial - pela primeira vez, o génio via-se preso num enigma da sua própria autoria e precisou de um mês de intensa análise e experimentação para regressar ao ponto de origem. Impressionado, viu no cubo um instrumento de treino mental aliciante para o grande público.
AGORA GIRAS TUO Cubo Mágico foi lançado na Hungria em 1977, mas o seu potencial só se revelou quando o emigrante Tibor Laczi o exibiu dois anos depois na Feira de Brinquedos de Nuremberga. Laczi limitou-se a percorrer o recinto com o Cubo na mão, atraindo uma multidão de curiosos. Assim que o empresário os desafiou a deixar todas as faces com uma só cor, depressa a simples curiosidade se transformou num frenesim de entusiasmo.
Em poucos meses, o Cubo Mágico espalhou-se por todo o planeta a um ritmo alucinante, fazendo de Rubik o primeiro milionário empresarial socialista e preparando a Hungria para a abertura económica ao Ocidente. Numa questão de três anos, uma em cada três pessoas na Europa e nos EUA tinha pelo menos um Cubo Mágico em casa, se bem que muitas vezes despedaçado depois de horas, semanas ou até meses de frustração.
ORDEM E CAOS26 cubinhos, 54 faces e 6 cores distintas constituem o mistério do Cubo de Ernõ Rubik, pois apenas uma e uma só das 43 252 003 274 489 856 000 posições giratórias possíveis corresponde à chave do
quebra-cabeças. Mesmo que o Cubo fosse manipulado aleatoriamente uma vez por segundo, apenas se
conseguiria obter um Cubo Mágico perfeito em cada 300 anos.
É este desafio matemático que ainda hoje incentiva estudiosos de todo o mundo a explorar os segredos da obra-prima de Rubik. Um dos maiores enigmas continua a ser o menor número de movimentos possíveis para se resolver qualquer configuração do Cubo. A resposta provisória para este "número de Deus" (pois só uma entidade superior seria
capaz de tal eficácia) é 26, depois de 63 horas de cálculos de um computador especificamente projectado para a tarefa. Suspeita-se que o número real deverá ser ainda menor.
Nenhum ser humano conseguiria solucionar o Cubo em apenas 26 movimentos, mas não são poucos os que o resolvem numa questão de segundos. Deslumbre-se com a rapidez de Ron van Bruchem, antigo campeão do mundo, neste vídeo assombroso. Acha-se capaz de semelhante feito? Então lance mãos à obra com este cubo virtual e reviva o fascínio de um objecto que, mais do que um ícone da década de 80, constitui um quebra-cabeças para todas as eras.
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