Viúva de vítima da TAM afirma
sofrer extorsão
A viúva de um alto executivo, vítima do acidente com o vôo 3054 da TAM
ocorrido em 17 de julho deste ano, afirmou durante entrevista ao Fantástico, da
Rede Globo, ontem, ser vítima de extorsão e que, por medo dos criminosos,
decidiu mudar para a Europa.
Durante a entrevista, em Paris, a viúva contou que começou a sofrer ameaças
em agosto, um mês após a morte do marido.
Bandidos quebraram o vidro do carro
dela, no meio do trânsito. "Mas eu fugi, consegui fugir. E começaram a
fazer ligações bem pesadas. Mas até então à gente não tinha certeza se eles
sabiam bem ao certo quem nós éramos", diz a viúva. Ela diz que, em outra
ocasião, numa Avenida da Zona Sul de São Paulo, chegou a ser perseguida por
dois motoqueiros.
Segundo depoimento da viúva, ela só teve certeza de que os bandidos sabiam
sua identidade quando recebeu um e-mail com ameaças às suas duas filhas. A
mensagem dizia que ela ganhou na "Mega-Sena da TAM" e já teria
recebido metade dos R$ 16 milhões da indenização. "Nem se começou ainda a
negociação para acertar uma indenização. Eles citaram números milionários que
não é verdade, não é real."
Segundo informações da
assessoria do Departamento de Investigações sobre
Crime Organizado (DEIC), onde a viúva prestou queixa e oficializou um boletim
de ocorrência no mesmo
dia da extorsão, na última segunda-feira, 12, os
bandidos queriam receber R$ 20 mil para não seqüestrar suas filhas.
Uma operação foi montada pelos
policiais para prender a quadrilha e o
dinheiro deveria ser entregue em um shopping. "Eles realmente estavam
querendo as meninas, que eles iam pegar as crianças. Nesse momento eu já estava
desesperada", confessa a mãe. No DEIC, a viúva consultou o álbum com fotos
de dezenas de criminosos. Não reconheceu ninguém. Em seguida, fez um retrato
falado de um dos golpistas. Os policiais deram todas as garantias de que nada
aconteceria a ela: a vítima poderia entregar o dinheiro que os bandidos seriam
presos em seguida. No
último momento, com medo, a viúva desistiu de tudo.
De acordo com a assessoria do DEIC, a viúva alegou não "teria estrutura
emocional para agüentar a situação de um flagrante e acabou desistindo".
Com orientação do advogado da família, ela e as
filhas viajaram às pressas no
dia seguinte, uma terça-feira, para a Europa, sem se despedir de amigos e
parentes. Ainda no aeroporto, policiais do DEIC levaram imagens de novos
suspeitos para reconhecimento, mas não houve sucesso. "De algumas fotos
ela dizia que poderia ser, era parecido, mas não chegamos a nenhum suspeito",
segundo a assessoria.
As investigações prosseguem, mas o DEIC não dará outras informações sobre o
caso, inclusive para que novas vítimas do acidente não sejam ameaçadas.
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