Quanto vale um conselho HSM Management perguntou a 25 dirigentes de empresas de grande sucesso no Brasil qual era o melhor conselho que eles haviam recebido na vida, tão bom a ponto de ter ostensivamente infl uenciado sua vitoriosa carreira. E surpresa: a necessidade de buscar a felicidade, a aceitação do diferente, a simplicidade e a preocupação com os outros também revertem em sucessoHSM Management 52 setembro-outubro 2005
2de frente da tecnologia, outras carregam marcas mundialmente conhecidas –inclusive brasileiras, como a H. Stern, de Richard Barczinski. Elas variam entre grande e pequeno porte, e, neste caso, são obrigatoriamente destaques em seu segmento de atuação. E revezam-se entre o controle nacional e as multinacionais.
E quem são os conselheiros lembrados? Pessoas da família aparecem em primeiro lugar –dos 25 líderes entrevistados, 12 citaram conselhos de um parente. Antigos chefes também provaram ter grande influência na trajetória de seus subordinados, como fica evidente em dez casos.
Foram mencionados ainda professores, categoria que aqui abrange desde professores universitários até instrutores de programas de treinamento, passando por consagrados autores de livros de administração.
Como comentou um dos executivos procurados, fosse esta reportagem nos Estados Unidos, é possível que os executivos procurados já sacassem uma listinha dos conselhos que anotaram ao longo dos anos; no Brasil, requer-se tempo para pensar, pois ninguém é tão disciplinado assim. Tanto melhor. Isso levou os entrevistados a refletir profundamente sobre os ensinamentos que realmente incorporaram e aplicam em seu cotidiano –e que, a seguir, compartilham gentilmente com os leitores de
HSM Management.
Voltando à pergunta inicial sobre quanto vale um conselho: ele pode não valer nada. Mas, se efetivamente "implementado", pode valer tudo. Cada conselho deste artigo é um convite à reflexão. Aproveite!
OZIRES SILVA
Presidente da Pele Nova Biotecnologia e fundador da Embraer – Indústria tecnológica
"Muitas vezes, o comodismo ou cansaço me fazem querer faltar a algum compromisso. Mas reúno forças, lembro-me das palavras de um velho comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) e acabo indo. Ele gostava de dizer: ‘Somente tem sorte quem vai’.
"A frase pode soar estranha, mas vou explicar seu contexto. Eu e mais nove colegas dávamos nossos primeiros passos como oficiais-aviadores da FAB na Base Aérea de Belém, Pará. Certo dia, um deles foi designado por nosso comandante para representar a Base em um evento e ficou desalentado; para cumprir a missão, deixaria de fazer um vôo!
"Percebendo seu desânimo, o comandante fitou-o nos olhos e ensinou: ‘Somente tem sorte quem vai. Quem fica, seja qual for a razão, pode perder uma expressiva oportunidade’. Resignado, meu colega foi. Ao voltar, soube que seu substituto sofrera um acidente fatal.
"Ao longo da minha vida, tenho pensado sempre nisso. Poucas foram as vezes que me arrependi de comparecer a algum compromisso. E, em diversas ocasiões, realmente ganhei por ter estado presente. Procuro usar de muita prudência quando dou um conselho, mas, nesse caso, acredito que o que ouvi do meu comandante faz todo o sentido na vida competitiva de hoje, em que as oportunidades surgem nos momentos mais inesperados. Por isso, repito: só terá sorte quem for."
JAYME BRASIL GARFINKEL
Presidente da Porto Seguro Seguros Serviços de seguros
"Quando finalmente decidi ingressar na Porto Seguro, empresa dirigida por meu pai, Abrahão Garfinkel, eu tinha apenas 27 anos de idade e muitas ambições individualistas, típicas de qualquer jovem executivo. Eu havia trabalhado em outras empresas e queria consolidar carreira na Porto. Ao compartilhar isso com meu pai, recebi um conselho fantástico: ‘Você só será grande se a empresa for grande também’. De maneira simples e direta, o conselho me fez compreender que, ao contrário da minha tendência naquele momento, o importante era pensar no coletivo e não somente em meus interesses individuais dentro da corporação.
"As palavras do meu pai ecoaram por toda a minha carreira, servindo como sólido alicerce para a construção dos meus princípios pessoais e profissionais e para o sucesso da Porto Seguro. Meu conselho hoje para os jovens executivos é que sempre interajam com o mundo ao seu redor: pensem na equipe e se desprendam dos interesses pessoais. O ápice do sucesso só é atingido quando o coletivo passa a ter mais significado que o particular." HSM Management 52 setembro-outubro 2005
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AMAURY OLSEN
Presidente da Tigre S.A. – Indústria de materiais de construção de PVC
"Em 1989, fui convidado pelo presidente, fundador e principal acionista da Tigre, João Hansen Junior, para assumir a diretoria industrial. Respondi que não era engenheiro, minha formação principal é em administração de empresas. Mas o sr. João, com sua sabedoria, argumentou que tudo que eu precisava para assumir essa diretoria era de bom senso.
"Naquela época eu estava em função de staff na companhia e a Tigre não vivia um bom momento, com fábricas obsoletas, gestão inadequada de pessoas, níveis hierárquicos em demasia, banheiros deteriorados, restaurantes com comida ruim e, conseqüentemente, baixa produtividade. Munido de bom senso, fiz, com minha equipe, as modernas e produtivas fábricas da Tigre, que hoje são benchmarks mundiais.
"Esse conselho, do nosso então presidente, tem sido válido em muitas das minhas decisões e ‘pavimentou’ minha trajetória para que, em 1995, eu fosse convidado para ser o presidente da empresa, função que exerço até hoje. Foi tão útil que tenho repetido esse conselho, aparentemente simplório, mas incrivelmente eficaz, para muitas pessoas."
RICHARD BARCZINSKI
Presidente da H. Stern – Indústria e comércio de jóias
"Em 1996, havíamos acabado de alugar nossa loja da rua Oscar Freire, em São Paulo, e fizemos um projeto de arquitetura com nossa equipe interna. Já tínhamos o layout pronto quando Roberto Stern me perguntou por que não tentávamos algo totalmente novo e diferente do que havia sido feito até então. Sem querer, ele me chamou a atenção sobre a importância de pensar diferente e explorar os variados ângulos e visões de um mesmo assunto.
"Essa loja da Oscar Freire foi o laboratório para o desenvolvimento de uma nova linguagem de arquitetura que viria a tomar forma e ser o nosso padrão mundial de loja. E passei desde então, como regra diante de qualquer desafio, a discutir soluções diferentes, criativas e instigantes. Eu me monitoro para não me acomodar em fazer as coisas sempre iguais.
"Se fosse dar outro conselho, talvez dissesse: ‘Não seja o dono da verdade’. É preciso ser humilde, ouvir os conselhos alheios e aprender com eles. Isso e a disposição para enxergar as diversas alternativas possíveis são os passos fundamentais do processo de tomada de decisão nos negócios."
ALAIR MARTINS
Presidente do Grupo Martins – Comércio atacadista
"Minha família cuidava da roça numa pequena propriedade da zona rural de Martinésia, distrito de Uberlândia, Minas Gerais. Desde menino tinha decidido mudar para a cidade e trabalhar no comércio. Então, meu pai me disse: ‘O melhor conselho sempre será o bom exemplo’. Ele se preocupou em falar isso porque queria que eu servisse de exemplo para meus irmãos e temia que eu perdesse, na mudança de atividade, os valores que ele tanto respeitava: ética, humildade, justiça e lealdade. Segundo ele, só é possível confiar nas pessoas que praticam aquilo que exigem dos outros. E seus filhos deveriam ser pessoas assim.
"Esse conselho me levou a lutar para melhorar sempre, tanto no aspecto profissional como no pessoal. Sendo cada vez melhor, eu poderia dar exemplos cada vez melhores de trabalho, persistência, determinação e garra, e ter credibilidade cada vez maior. Adotei o conselho paterno como lema, portanto, e o divulgo sempre por toda a nossa organização.
"Se um jovem executivo me pedisse um conselho, e
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