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Resumos e revisões curtas

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por : Marujo0645    


os mesmos erros. Acho que assim são os negócios, assim é a vida. O esporte ensina muito
para a gente, não?!
Você
disse que, no esporte, as regras são claras... Como transportar isso para o mundo dos
negócios?
O Brasil que dá certo hoje é o Brasil empresarial. Só que ainda carece de regras mais
claras, mais bem definidas. E isso deveria vir do governo.
Nós vivemos num país que tem um Código Civil muito amplo, um volume enorme de
leis, que até se sobrepõem e se contradizem, onde não há regras claras para seu funcionamento,
em que o mundo político é uma prova de quanto tudo isso é obscuro. Num
lugar assim, você certamente tem dificuldade de entender o certo e o errado, o ético e
o imoral... E isso se reflete na vida empresarial. Seria preciso mudar o país para mudar o
mundo dos negócios, na verdade. Eu confesso que era socialista e estatizante até conhecer
a máquina estatal...
Pode nos explicar isso?
Eu defendia que a solução para o Brasil vinha pela eficiência do Estado. Depois que
tive a experiência de trabalhar em governo, deu para ver quanto o governo é ineficiente
com o dinheiro público. Ele arrecada muito e gasta mal. Os poderes constituídos são muito
corporativistas –o Judiciário, sobretudo, e o Legislativo também. Eles atendem a sociedade,
sim, mas primeiro se atendem. Ao ver isso, eu passei a defender que o governo requer muito
mais agilidade, tem de ser mais liberal, o Estado menor, mais enxuto. E assim se definiria
melhor a regra do jogo empresarial.
Gostaria que você falasse um pouco sobre sua experiência de gestão no setor público. Você conseguiu
implementar suas idéias?
Como secretário de esportes do governo FHC, o que fiz, na verdade, foi ampliar os
programas já existentes, estendendo-os para o território nacional. Eram programas como
Esporte Solidário e o projeto de fabricação de material esportivo em presídios, que era
o Pintando a Liberdade, anteriores à minha chegada ao governo federal. Eles surgiram
na gestão do ex-ministro Pelé, mas existiam de forma simbólica. A minha luta foi no
sentido de enviar uma explicação à sociedade do porquê desses programas, de qual é
o papel social do esporte. Busquei fazer o possível para obter avanços significativos na
política esportiva nacional. Mas tive grandes dificuldades. Tive de aprender a lidar com
a ineficiência do Estado...
Outro projeto muito importante em que investi, e que surgiu na gestão do ministro
Carlos Melles, foi o Esporte na Escola. Por meio desse programa consegui pelo menos
influenciar o Congresso Nacional e o Ministério da Educação para resgatar a educação
física obrigatória na escola e permitir que o recurso público destinado à educação pudesse
ser aplicado na prática esportiva, em quadras poliesportivas, no calendário esportivo
escolar. A mesma visão eu tive como secretário estadual paulista com o Programa Esporte
Social e com o Projeto Navega São Paulo, que é uma derivação do Projeto Navegar, que
já existia e que eu implantei no governo federal.
Esses programas, de certa forma, ainda existem, com nomes diferentes... O Projeto
Navegar é hoje uma ação dentro do projeto Segundo Tempo, do atual governo Lula. E o
Esporte Solidário e Esporte na Escola foram fundidos num só programa, que é este Segundo
Tempo. Mudaram de nome, mas a essência é basicamente a mesma. Então, é possível
fazer as coisas acontecer no governo, sim. Precisa-se de bastante fibra e persistência, algo
que os atletas normalmente têm.
Interessante: você não tem a vaidade de ter um programa seu, dispõe-se a executar programas
alheios. Mas se dispõe a rompê-los quando necessário também, não? Foi mais ou menos isso que
você fez em sua presidência na Federação Brasileira de Vela de Motor (FBVM), quando, no início
deste ano, ao assumir o cargo, solicitou intervenção do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)?
Precisei auditar as contas da entidade e, ao constatar um rombo muito grande
HSM Management 62 maio-junho 2007
decorrente de dívidas contraídas por causa de sistema de bingo, tomei, sim, a atitude
drástica de solicitar a intervenção do COB. Após uma série de análises, do COB e de
nosso Conselho Fiscal, decidiu-se que o COB passaria a comandar a Federação Brasileira
e ele tornou-se responsável por executar os recursos previstos para a vela, garantindo
a programação da vela panamericana
e olímpica. Fiz tudo isso para garantir que a vela
não sofresse pela situação de inadimplência. Em contrapartida, eu passei a atuar como
diretor de vela, em cargo voluntário, dentro do Comitê Olímpico Brasileiro.
Por que você defende a obrigatoriedade da educação física na escola? Nem todos nascem para
fazer esporte...
Mente sã em corpo são. A pessoa que tem desenvolvimento intelectual sem ter desenvolvimento
físico não é uma pessoa saudável nem no aspecto intelectual. Eu acho
que a educação física é uma matéria tão importante quanto matemática, português,
literatura. Desenvolve a disciplina, o espírito de equipe, a interação com a natureza e
com o próprio corpo para explorar capacidades, o respeito às regras, que são muito
claras no esporte. A educação física hoje, em qualquer país sério, não só é obrigatória,
Publicado em: setembro 02, 2007
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