O
conceito genérico de filtro é o do elemento impedidor da passagem de alguma coisa. No entanto, em termos de cognição tal conceito tem que ser modificado para dar
conta da noção de percepção em seu estado natural como bloqueadora da maior parte das informações oriundas dos
sentidos. Assim, para haver a assimilação de conhecimento, é necessário que seja construído um aparato capaz de "abrir" brechas nas barreiras instintivas que obrigam o
mundo animal a se concentrar nas tarefas mais imediatas e prioritárias. Assim, diante do perigo, um animal aguça todos os seus sentidos nas possibilidades de rotas de fuga, abstraindo todo o resto, sensações de prazer, fome, sono, etc. Para quem vive somente dos seus instintos, o ciclo fechado de atividades monotemáticas dá conta satisfatoriamente da sobrevivência, mas não é o caso do ser
humano que se modifica intensamente ao ponto de superar a mera dimensão instintiva ingressando noutra, a conceitual e simbólica, já como ser social - onde ele é humano apenas por que interage com outros humanos. Então neste complexo mundo de relações, o descarte quase total das informações perceptivas passa a ser um obstáculo inaceitável para os parãmetros do universo construído artificialmente, sendo necessária a construção de aparatos ou filtros de assimilação que predisponham a conceituação e posterior apreenção da dimensão humana, em constante modificação.
Publicado em: novembro 07, 2007
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