Conjunto de indicadores reunidos pelo Worldwatch Institute mostra que a
economia mundial cresce às custas da destruição dos recursos naturais.
Na mais recente edição do Vital Signs (Sinais Vitais) lançada nos
Estados Unidos pelo Worldwatch Institute, um instituto de pesquisas
dedicado a temas ambientais e sociais, duas tendências ficam claras. A
primeira é a de que a economia não pára de crescer, como mostram alguns
números: em 2005, o PIB mundial atingiu o recorde de 59,6 trilhões de
dólares, a produção global de automóveis e utilitários esportivos bateu
inéditas 64 milhões de unidades e os gastos mundiais com publicidade
chegaram a 570 bilhões de dólares, cifra jamais alcançada antes.
A segunda tendência apresenta o custo ambiental de índices tão altos de
produção e consumo. A humanidade está usando 23% a mais de recursos
naturais do que o planeta é capaz de recompor. Cerca de 20% dos recifes
de coral e dos mangues em áreas costeiras já foram destruídos em todo o
mundo. A degradação da maior parte dos ecossistemas globais tem levado
à perda dos serviços naturais que eles prestam, pois funcionam como
fontes de água potável, de alimentos e como reguladores do clima. Os
combustíveis fósseis — carvão mineral, gás natural e derivados de
petróleo — continuam a ser a principal fonte de energia global, apesar
do aumento na atmosfera dos gases de efeito estufa emitidos por eles, o
que quase certamente levará à elevação da temperatura média no planeta
nas próximas décadas. O uso de carvão mineral, o combustível que mais
emite gases de efeito estufa, cresceu 6,3% só em 2004. A boa notícia,
em
contrapartida, é que no ano de 2005 a capacidade instalada de energia
eólica cresceu 24%, a produção de energia solar por célular
fotovoltaicas (que transformam luz em eletricidade) aumentou 45% e a
produção de biocombustíveis (como etanol e biodiesel) deu um salto de
20%.
“A economia nos padrões atuais está prejudicando os ecossistemas da
Terra e as pessoas que dependem deles”, diz Erik Assadourian, diretor
do projeto Vital Signs 2006-2007. “Se todo mundo consumisse como os países
mais ricos, o planeta poderia suportar de maneira sustentável somente
1,8 bilhão de pessoas, não a população atual de 6,5 bilhões. No
entanto, a população mundial não deverá diminuir, e sim crescer para 8,9 bilhões
de habitantes por volta de 2050.” A série Vital Signs, atualizada a cada
um ou dois anos, reúne os principais indicadores econômicos, sociais e
ambientais do mundo, oferecendo assim um retrato da “saúde” do planeta
e de seus habitantes.
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