De acordo com o coronel Carlos Alberto de Carvalho, secretário da Defesa Civil, o volume de resíduos de tratamento de bauxita que vazou da barragem mineradora
rio Pomba Cataguases foi o equivalente a 400 milhões de litros. O vazamento colocou a região do Rio Muriaé sob a ameaça de um desastre ecológico e suspendeu preventivamente o abastecimento de água em Laje de Muriaé, município de 8 mil habitantes no Noroeste Fluminense.
Segundo a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), a extensão da mancha de lama com resíduos já chega a 70 quilômetros, entre os município de Miraí e Laje do Muriaé. De acordo com a Feema, a situação é mais grave pelo volume de lama do que pelo nível de toxidade do produto. Amostras da água, no entanto, estão sendo levadas para exames.
O rompimento da barreira ocorreu na madrugada de quarta-feira, no Rio Fubá, em Miraí, Minas Gerais. O derramamento foi causado pelo rompimentodo vertedouro da barragem da mineradora Rio Pomba Cataguases Ltda e pode chegar a municípios fluminenses através do Rio Muriaé. O vazamento atingiu fazendas, destruindo pastagens e lavouras. Também houve mortandade de peixes devido à falta de oxigenação da água.
O Rio Fubá é o primeiro afluente do Rio Muriaé, que, depois de percorrer toda a Região Noroeste, deságua no Rio Paraíba do Sul, na Região Norte Fluminense.
A Feema vai divulgar ainda nesta sexta-feira laudo da análise das amostras do resíduo. Segundo o órgão, a informação do governo de Minas Gerais, divulgada em site oficial, de que o material não é tóxico precisa ser confirmada.
"Já foi registrada mortandade de peixes, mas ainda não se sabe se ela é ocasionada pela lama oriunda do vazamento ou se é decorrente da toxicidade do material", afirmou a governadora Rosinha Garotinho.
"O rejeito pertence à classe II B – inerte e não apresenta elementos tóxicos em sua composição", informou a Fundação Estadual de Meio ambiente (Feam), de Minas Gerais. Segundo o governo de Minas, trata-se de um material sem toxicidade que pode ser retirado a partir do tratamento de água convencional. Ainda, segundo o órgão, as possibilidades de que os sedimentos atinjam o rio Paraíba do Sul são mínimas, pois o material tende a depositar-se no fundo do rio. O governo de Minas informou que o vazamento foi contido por volta das 5h desta sexta-feira.
Em Laje de Muriaé, a Cedae montou um esquema especial com carros-pipa para compensar o corte no abastecimento de água. Os técnicos também estão em estado de alerta nas estações de tratamento de Itaperuna, Italva, São José de Ubá e Cardoso Moreira, cidades próximas a Laje de Muriaé. Caso seja necessário, a operação dessas estações, que captam e tratam a água do Rio Muriaé, também será suspensa.
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