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Internet e Tecnologia

Summary rating: 5 stars 1 Avaliações
Review by : arrepiado
Visitas : 196  palavras: 900   Publicado em: agosto 05, 2007
 
chocolat (2000, Miramax) não é um filme ruim. Alcançou cinco indicações para o grande prêmio da academia de cinema. Porém, se dessem um Oscar para a Melhor Direção de Tipografia, esse filme não estaria entre os indicados.
O filme se passa numa pequena cidade provinciana da França, em meados dos anos 50. Lá pela metade do filme, o prefeito da cidade distribui notificações proibindo qualquer um de comer qualquer coisa além de pão e chá fraco durante a Quaresma (o que, é claro, coincide com a abertura da nova chocolateria). Quase ri quando mostraram um close da notícia. A manchete estava escrita em ITC Benguiat, um tipo lançado em 1978 e muito popular nos anos 80.
 
Provavelmente o erro seja imperceptível. ITC Benguiat foi desenhada imitando o estilo Art Nouveau. É quase como se o Art Nouveau continuasse sendo usado na França provinciana dos anos 50. Mas certamente não a ITC Benguiat. Ela nem existia.
Conhecer esses pequenos deslizes em filmes pode acontecer com qualquer um que possua conhecimento específico em qualquer campo. Um amigo meu no colegial era aficcionado por telefones e gostava de contar que o tipo de telefone que aparece numa cena próxima ao final do filme American Graffitti (1973) não existia em 1962. Para ele era tão flagrante como se tivessem colocado Paul Le Mat dirigindo um Camaro.
É bastante irreal esperar esse nível de atenção aos detalhes num filme. Há coisas mais importantes para se preocupar durante as filmagens. Além disso, o número de pessoas que percebem essas coisas como um tipo anacrônicos é pequeno. Tenho certeza que eles raramente reclamam.
Até agora, é certo.
A seguir, faço um resumo cuidadoso de filmes que me chamaram atenção ao longo dos anos pelo seu uso (ou mau uso) de tipografia de época.
De início, gostaria de dizer que os tipos usados nos títulos não necessariamente valem, uma vez que existem mesmo fora do mundo retratado no filme. Por exemplo, o filme Eight Men Out (1988) usou o tipo Módula desenvolvido pela Emigré em 1987 em seus títulos (desenhados pela M&Co.). O filme se passa em 1919. É discutível qual seria a escolha apropriada, isso seria um assunto de preferência pessoal, não de fidelidade histórica.
A pontuação abaixo foi atribuída de uma a cinco estrelas indicando quão bem a tipografia é usada para cada filme:
 Uso praticamente perfeito da tipografia da época, erros, se existem, são difíceis de encontrar
 Bom uso da tipografia da época, erros menores aqui e ali
 Uso razoável da tipografia da época, erros maiores ocorrem ocasionalmente
 Pouca atenção à tipografia da época, a tipografia correta só aparece em artigos de época
 Nenhuma atenção à tipografia da época, apenas tipos gratuitos para Macintosh ou PC são usados
Dead Men Don''t Wear Plaid (1982, Universal Pictures). Neste caso o filme é uma paródia do gênero film noir, portanto os títulos são parte do mundo que o filme retrata. As escolhas foram Newport (1932) e Brush Script (1942), marcando o período, mas o estilo dos créditos está errado. Nos anos 40, os títulos dos filmes eram geralmente escritos à mão em cartões mostrados em sequência.
 
Títulos à parte, uma cuidadosa atenção é reservada aos detalhes. Contrataram inclusive a veterana designer de moda de Hollywood, Edith head (trabalho pelo qual ela ganhou um Oscar depois) e criaram cenários e iluminação para mesclar a métrica existente dos filmes clássicos. O filme recebeu vários elogios por essa atenção aos detalhes, mas com certeza ninguém mencionou o uso da Blippo, um tipo pop-art dos anos 70, no panfleto do cruzeiro.
 
Os jornais vistos em várias cenas também são problemáticos. Eles parecem mais leitura para crianças do que jornais de verdade.
 
Por outro lado, o uso de marcas (especialmente a escrita à mão no armário de remédios) acertamem no alvo. Afinal, um filme bem divertido, mas irregular no uso dos tipos.
 
Tucker: The Man and His Dream (1988, Lucasfilm, distribuído pela Paramount Pictures). Este filme é uma homenagem de Francis Ford Coppola a Preston Tucker, o gênio automotivo além de seu tempo dos anos 40. Se Tucker tivesse seguido em frente, todos os carros teriam cintos de segurança como equipamento de linha em 1950 e estaríamos dirigindo carros com melhores recursos. Em todo caso, é um grande filme, realizado com carinho, que faz um trabalho louvável de recriação dos anos do pós-guerra.
 
Não há muita tipografia nesse filme, mas o que há é bem feito, incluindo os títulos, que são como se tivessem sido tirados de um verdadeiro filme dos anos 40. Há um monte de boas marcas (como o gigante letreiro da fábrica TUCKER), mas há um que não está absolutamente certo.
 
O oficina de Tucker na fazenda de sua família tem um letreiro (abaixo) escrito em grande, tridimensional... Helvetica. Não sei como deixaram passar essa.
 
Embora Helvetica (1957) seja parte de uma longa linha de tipos sem serifa que vieram de meados do século XIX, não era comum ver tantas letras em letreiros americanos até pelo menos os anos 60, especialmente o tipo genérico que é usado no filme.
 
Dead Again (1991, Paramount Pictures). Kenneth Branagh e Emma Thompson fazem um casal moderno que é a reencarnação predestinada do par anterior, um deles executado pelo assassinato do outro no final dos anos 40. Os títulos figuram como montagens de closes de jornais explicando a triste sina do casal anterior.
 
As notícias são razoavelmente bem feitas e até parecem ter sido prensadas com letterpress, como a maioria dos jornais eram até os anos 70. Mas percebi algumas extravagâncias, claro. Primeiro, enquanto todos os tipos usados eram compatíveis com a época, o tipo dos textos mostrados era Caledonia, um tipo para livros que seria uma desagradável escolha no caso de jornais. Jornais geralmente usavam (e ainda usam), bem, tipos para jornais. A outra coisa é que embora algumas das manchetes aparentem ter sido impressas com tipos de madeira - uma prática que se mantinha comum nos anos 40 - eles são todos muito bem espaçados (tem o kernel muito bem feito).
 
Tecnicamente, seria possível fazer um bom kernel com tipos de madeira cortando fisicamente partes do tipo, mas isso seria um cuidado demasiado, impraticável para um jornal.
 
Ed Wood (1994, Touchstone Pictures). Eu adorei esse filme, e não foi pelo seu uso da tipografia.
 
O filme começa bem, mixando perfeitamente o estilo de um filme original de Ed Wood dos anos 50 nos créditos da abertura, mas assim que marcas e jornais começam a aparecer, começa também o vexame. Closes dos jornais mostram manchetes em vários corpos da família Helvetica junto a outras manchetes de boa qualidade aparentemente tiradas de jornais de verdade (a maioria Erbar Light, 1934).
 
Ainda mais implausível, algumas delas estão oticamente distorcidas - uma prática que não era comum até o advento da composição digital de tipos, e que na realidade seria praticamente impossível na impressão de jornais da década 50. Outro anacronismo brilhante é a marca no edifício Screen Classics que fica em Chicago no filme, com a fonte original do sistema Macintosh (TrueType, 1991). É muito estranho de se ver, uma vez que a composição é grande e tridimensional, aparentemente feita à mão para ser colocada na fachada do edifício.
 
Tão esquisito quanto, o mesmo logotipo está pintado à mão numa porta de vidro dentro do edifício. Sempre achei que Chicago tinha uma qualidade excêntrica de Art Deco. Aparentemente algumas pessoas pensam que isto é um tipo Art Deco.
 
Do lado brilhante, há algumas faix

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