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Carlos Drummond de Andrade: Segunda linha
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A segunda linha que se pode determinar na poesia de Drummond inicia-se com o livro “Novos Poemas” (1948) e, principalmente, com a produção contida em “Claro Enigma” (1951>. Nesse instante, observa-se claramente uma preocupação estética, isto é, o poeta procura trabalhar a forma, não com um trabalho mecânico à moda parnasiana, mas buscando uma originalidade baseada na invenção. É nesse momento que o poeta realiza um trabalho construtivista, no sentido que Péricles Eugênio da Silva Ramos empresta ao vocábulo, ou seja, o trabalho poético como sendo “o fruto das experiências já realizadas pelo Modernismo, concebendo-se o poema como um artefato e não como simples fruto do lirismo". Essa tendência artesanal na poesia de Drummond inaugura "uma poética de disciplina em que ao lado do verso livre reaparece o metrificado, mas renovado por outras dimensões de linguagem e de ritmo; descobrem-se novas possibilidades para a rima; retempera-se o soneto e os -temas readquirem seu duplo sentido nacional e universal". (1)
Essa fase de Drummond pode perfeitamente ser considerada como um prenúncio das produções vanguardistas que hoje têm sua voga. A invenção, caracterizada pela surpresa extraída da linguagem e do ritmo, confere um traço particular às produções drummondianas, tornando-as originais e inconfundíveis. É o momento em que o poeta vai se preocupar primeiro com as palavras que serão exploradas, depois, com o sentido delas na construção do poema. É a identificação com a tese defendida por Mallarmé, segundo a qual os versos não se fazem com idéias e sim com palavras.
Autores houve, e entre eles pode-se citar Manuel Bandeira, que julgaram mal essa evolução da poesia de Drummond, acreditando que, como rigorismo formal, os versos do poeta mineiro perderiam aquela grande riqueza e originalidade de ritmos. Todavia, podemos afirmar, seguindo as observações de Otto Maria Carpeaux, que a originalidade jamais lhe faleceu neste período, uma vez que a poesia de Drummond nunca foi uma poesia em imagens, mas sim em conceitos. E mesmo os perigos a que o poeta poderia se expor, realizando uma poesia conceptualista, estão longe de apanhá-lo por causa do "acordo raro de certa ingenuidade rústica com a mais rigorosa disciplina intelectual", jamais sendo um sentimental, mas, antes, sendo irônico, sarcástico, agressivo mesmo, entendendo-se essa agressividade como o próprio dramatismo que lhe vai dentro do peito e que só os poetas maiores sabem expor com habilidade.
Em síntese, Carlos Drummond de Andrade é um poeta que apreende o mundo, refundindo-o interiormente, dele tendo uma macrovisão Impressionante. Através de sua obra vê-se que é o poeta da solidariedade humana, preocupado com o homem de seu tempo, com o homem alienado. Às vezes, o poeta se desilude, desespera-se ante o desencanto do mundo, nesses momentos que assume uma atitude de analista, procurando vislumbrar o futuro e, às vezes, consegue fazê-lo de modo otimista, trazendo-nos uma mensagem de fé numa humanidade renovada.
Além de poeta" Carlos Drummonnd de Andrade foi também prosador de primeira qualidade, como bem o demonstram seus livros “Confissões de Minas”, “Fala, Amendoeira” e “Cadeira de Balanço”.
(1) Gilberto Mendonça Teles. Drummond - A Estilística da Repetição, Rio, Livraria José Olympio Editora, 1970, pág. 10.