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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Artes & Humanidades>Teoria E Crítica>Jogadores de Futebol: Atletas ou Artistas

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Jogadores de Futebol: Atletas ou Artistas

por : SinesioCapece    

Autor : Sinésio Capece

 Parece que tudo nasceu com uma palavra mágica, o “drible”, ato de ludibriar, enganar o adversário para passar por
ele com a bola. Tantos são os craques brasileiros especializados nesta arte, nesta ginga, nesta milonga, que o mundo admira e aplaude. Somos realmente imbatíveis na prática de fazermos malabarismos com a bola. “Está aqui... não, está ali... não, não está mais! Veja lá, no fundo do gol, balançando as redes do adversário!”
A arte dos malabaris, do contorcionista, que faz o futebol ficar irresistível agregou, no entanto, a malandragem e a mania do brasileiro de querer levar vantagem em tudo, criando situações desagradáveis de se assistir, feias de se ver, acontecendo a cada partida, diversas vezes, uma depois da outra. É também a tentativa de um drible, mas não o drible que estamos acostumados a aplaudir, mas um drible malicioso, anti-desportivo, antiético e até mesmo de mau-caráter.
A jogada segue, passes perfeitos, dribles desconcertantes, a defesa é envolvida e, de repente, o atacante aparece sozinho, com a bola, diante do goleiro. Ele tem dois tipos de dribles para dar: o primeiro, pode aplicá-lo no goleiro, com sua ginga e encanto, e entrar de bola e tudo, mas ele escolhe o segundo, ao lançar a bola pouco adiante e, ao passar pelo corpo do goleiro, finge ser tocado por ele e protagoniza uma queda espetacular, cinematográfica, de seu corpo ao solo, no melhor estilo hollywoodiano. A farça continua com o atacante se contorcendo numa dor imaginária.
Esta é a escolha que nossos jogadores de futebol têm feito, pelo segundo tipo de drible, aquele malicioso, maldoso, com dolo. “Se o árbitro caiu, problema dele!”
Não, não é problema só do árbitro, é um problema muito maior, que transcende o futebol, o espetáculo e até mesmo o propósito do ser humano viver em sociedade.
Numa Copa do Mundo, com um gol de mão validado, até recebendo o título de “as mãos de Deus”, o mundo teve diante de si a malandragem sendo reconhecida. E o bom caráter? E a honestidade? Não são levados em conta no futebol? Seria muito difícil o jogador apontar para o árbitro que ele está se equivocando ao apontar para o meio de campo, validando o gol?
“Senhor árbitro, este gol está irregular, eu coloquei a mão na bola deliberadamente!”
O gol certamente seria invalidado, provável que o atleta seja advertido, apesar de sua honestidade e talvez o seu time até perca a partida, mas isto se torna algo muito pequeno perto do que este mesmo jogador ganharia e algo infinitamente menor do que a humanidade ganharia. Quando pensamos no individual, estamos sendo egoístas e mesquinhos, sem levarmos em conta o que estaremos produzindo numa escala muito maior. Mas isto, em nossa sociedade, a cada dia que passa parece se tornar mais e mais utópico!
Publicado em: agosto 18, 2008
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