Espaço,
Território, Modernidade (pós?)
O autor começa por expor alguns conceitos de espaço segundo a visão de diferentes
personalidades como Foucault e a sua “microfísica do poder” ligada a noção de Panoptismo, como forma de controle, Guattari e seus estudos de Territorialidade, e Maffesoli com sua análise sobre os “territórios tribais”.
Nesta breve explanação o autor coloca em questão a tradicional visão lançada sobre a modernidade, na qual ela é conduzida por um único olhar como uma evolução contínua e sem choques (tanto com o novo que se impõe quanto com o velho que resiste), não incorpora a diversidade, a constante invenção do novo.
Por fim acusa a burguesia como responsável pelo atual quadro e afirma ser necessário para sua permanência a constante recriação do caos.
O espaço é parte indissociável de todo esse processo. Neste sentido torna-se importante sua análise. Para Guattari “o objetivo da produção da subjetividade capitalista é reduzir tudo a uma tábua rasa” desqualificação.
Deleuze e Guattari destrincham a relação entre exploração-capitalismo (desenvolvimento de uns versus exploração de outros), como Marx fez, mas vão além e mostram como a acumulação de capital é dependente, dentre outras coisas, do ressentimento e da tristeza (depressão). Numa maneira coincidente com Marx, D&G celebram a ‘desterritorialização’ criativa (em outras palavras, tudo que é sólido se dissolve no ar) que vem como efeito colateral do capitalismo. A solução para a ‘desvalorização’ da vida (evidenciada pela relação entre capitalismo e guerra, quente e gelado, no comunismo, crimes e terror, e é claro) é, segundo D&G, promover a desterritorialização, evitando assim a ‘reterritorialização’. Arquitetos como Toyo
ito, com a Garota Nômade de Tóquio, e Constant, com a New Babylon, são fortemente influenciados por estes conceitos, e propõem ‘espaços desterritorializados’.
D&G falam sobre a relação entre a produção do espaço e o poder, e isso é um tópico recorrente dentre os situacionistas, como Constant, e os chamados ‘cyberarquitetos’, como Toyo Ito. Importante ressaltar que D&G falavam do mundo virtual (o World Wide Web, www...) muito antes da internet se tornar uma rede de conexão virtual entre as pessoas. O apelo anárquico de D&G por uma autonomia individual radical nunca soou tão real e possível quanto agora.
Tendo em vista estes conceitos ele propõem uma nova leitura sobre a espacialidade, além da visão meramente econômica, e se volta para os espaços produtivos, se detendo nos “espaços disciplinares” e nos “espaços simbólicos”.
O primeiro tem por base nas próprias palavras do autor “uma função basicamente disciplinar e de adestramento” (FOUCAULT). Instituições destinadas a “normalização” dos indivíduos de uma sociedade, permitindo assim seu “bom funcionamento”.
Todo esta explanação esta muito bem representada, fisicamente, pelo Panóptico de Bentham, claro dispositivo de controle: basta colocar um vigia na torre central e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um escolar. Pelo efeito da contraluz pode-se perceber da torre, recortando-se claramente sobre a claridade as silhuetas nas celas, constantemente visíveis – “ver sem parar e reconhecer imediatamente” (FOUCAULT).
Obviamente essa opressão gera uma resposta, os “contra-poderes” (resistência ao panoptismo das instituições), como pode ser constatado nos fracassos de muitas cidades construídas para o operariado.
Já os espaços simbólicos trazem consigo o valor simbólico como signo para determinada sociedade ou grupo. Em cima dessa idéia se desenvolve grandes projetos preservacionistas que mais que respeito ao seu valor histórico-artístico tem por fim o resgate ou o enfatizamento de identidades e ideologias dominantes.
Por fim o autor recorre a metrópole, sendo o espaço mais representativo da modernidade. Espaço em que claramente se reproduz os efeitos espaciais de uma multiplicidade de funções que se entrelaçam e acabam por produzir novas mudanças no
território sempre novo.