Jean-Paul Sartre defendia uma arte engajada e definia a literatura como sendo a arte mais adequada ao engajamento, pois com
ela, o
escritor pode dirigir o leitor e, se descreve um casebre, mostrar nele o símbolo das injustiças sócias, provocar nossa indignação. Já o pintor é mudo: ele nos apresenta um casebre, só isso; você pode ver nele o que quiser. Essa choupana nunca será o símbolo da miséria. Artes como música ou pintura não podem exercer um poder conscientizador sobre o sujeito, portanto, não se apropriam ao engajamento. Para Sartre, a poesia também, como as outras artes, é inadequada á tarefa conscientizadora porque, embora se sirva das palavras, como a prosa, o faz de outra forma. O prosador é aquele que se serve das palavras para alcançar seus objetivos, o poeta, ao contrário, serve às palavras. O fator utilitário da prosa facilita o engajamento, pois a palavra possui uma natureza transformadora, já que revela o caráter dos indivíduos a si próprios e aos outros. Falar e agir; uma coisa nomeada não é mais inteiramente a mesma, pois perdeu a inocência. Os valores estéticos são importantes, mas “arte pela arte” serve apenas aos ideais burgueses, pois, em vez de transformar o sujeito através da conscientização, o mantém alienado. Segundo Sartre, escrever é uma ação de desnudamento. Não basta ao escritor ter escrito certas coisas, é preciso ter escolhido escrevê-las de um determinado modo, expondo seu mundo, com elementos estéticos. O homem que escreve tem a consciência de revelar as coisas, os acontecimentos; de constituir o meio através do qual os fatos se manifestam e adquirem significado. Mesmo sabendo que, como escritor, pode detectar a realidade, não pode produzi-la; sem a sua presença, a realidade continuará existindo. Ao escrever, o escritor transfere para a obra certa realidade, tornando-se essencial a ela, que não existiria sem seu ato criador. Um dos principais motivos da criação artística é certamente a necessidade de nos sentirmos essenciais em relação ao mundo. Segundo Sartre, o escritor deve estabelecer um pacto com o leitor para que a obra contribua para a transformação do mundo, da realidade. A liberdade é o bem maior do homem, para alcançá-la e mantê-la, é necessário uma consciência desperta. O papel do artista é contribuir para o despertar da consciência das pessoas.