Sophia Andresen inicia seu texto dizendo que Mônica é “uma pessoa
extraordinária”. Logo em seguida, ainda no mesmo parágrafo, percebemos tratar-se uma ironia, pois todas as qualidades citadas como exemplares em relação a essa mulher são, na verdade, elementos que formam a caricatura de uma pessoa. Mônica consegue dar conta de uma quantidade enorme de atividades, mas, no entanto, todas são absolutamente inúteis no sentido de que não contribuem para o aprimoramento de nenhum ser humano. A verdade é que Mônica não está interessada por isso, pois seus objetivos são plenamente alcançados, já que ela é uma vencedora nas questões mundanas e priva da amizade do Príncipe deste Mundo. Mônica é a metáfora de uma idéia. Representa o pensamento segundo o qual é importante “dar-se bem” na vida. Para isso, é necessário importar-se somente com coisas que promovam a imagem do indivíduo, sem a preocupação com questões mais profundas. Machado de Assis abordou o mesmo tema em seu conto “A teoria do medalhão”. Trata de um pai aconselhando o filho em seu aniversário de maior idade. Segundo a teoria desse pai, o filho deve ocupar-se de coisas que o façam “parecer”, e não “ser”. Por exemplo: o jovem jamais deve “perder tempo” lendo grandes obras, mas deve decorar passagens que causem impacto nas pessoas para declamá-las e passar a falsa idéia de que é um erudito. Esse é um tema bastante atual e que, pela forma tão bem elaborada com que foram produzidos os textos, tanto por Andresen quanto por Machado de Assis, causando-nos um estranhamento pela ironia, faz-nos parar e refletir sobre o assunto.
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