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Resumos e revisões curtas

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Passei por maus bocados...

por : LuizCarlosPereira    

Autor : Luiz Carlos Pereira
Prometi que sempre escreveria algo sobre mim, pois tenho muitas histórias. Estou pagando a promessa. Lembrei de um caso que
hoje acho muito engraçado, mas na época, não foi mesmo. Fui convidado para visitar um terreiro que não conhecia. A mãe no santo me conhecera em outra casa e me convidou. Chamei alguns filhos no santo e fui. Ao chegar achei tudo muito bonito, o congá enorme enchia nossa visão assim que se entrava. O chão era cimentado e muito bem encerado, o brilho das velas se refletia nele com exatidão. O casal de dirigentes foi me apresentado. A mãe Glória (que eu já conhecia) uma mulata gorda e muito bonita de rosto, tratou-me com carinho e atenção. O Pai Valter era o oposto, baixo, atarracado e descaradamente avesso a visitas, de sua parte fui quase que ignorado, não fosse por insistência da mulher para que entabulássemos uma conversa, que não vingou. Sabendo de minha condição de dirigente Mãe Glória convidou a mim e meus filhos a adentrar no terreiro para participarmos da gira. Nesse momento percebi que o Pai Valter não iria participar do trabalho, sentou-se em frente a uma mesa que havia no fundo do salão, onde se vendiam artigos religiosos. O trabalho começou muito bem dirigido e organizado. Senti todas as vibrações e deixei que minhas entidades trabalhassem livremente. Nesse dia foram chamadas duas linhas, Caboclos e Preto-velhos. Mãe Glória trabalhava muito bem e suas entidades, Caboclo da Mata Virgem e Mãe Maria de Aruanda, eram de uma firmeza exemplar. Trabalhei com meu Caboclo (Sete Nós da Guiné) e dei passagem ao meu preto velho (Pai Francisco de Luanda) que fizeram sua parte e puxaram as entidades dos filhos que me acompanhavam. . Tudo correu muito bem, foram dados passes, a assistência foi atendida e a sessão foi encerrada com sucesso. Batemos as cabeças, despedimo-nos de Mãe Glória e nos dirigimos a saída. Quando fui me despedir do Pai Valter ele me disse com aquela cara de raiva contida: Não se retire ainda que estou fazendo as contas... Juro que não entendi. Que contas seriam aquelas? Todos paramos (éramos quatro) e ficamos em suspense enquanto ele pegava um caderninho e um lápis. Depois de muito enrolar com aquele risca-rabisca apresentou-me uma conta. Olhei para trás para ver se via a mãe Glória, mas ela deveria estar se trocando, pois não apareceu. Olhei para o papel apresentado e perguntei do que se tratava. Seu caboclo fumou charuto e seu preto-velho bebeu café e fumou cigarro... Isso mesmo, ele estava me cobrando pelo que minhas entidades usaram durante o trabalho. Fiquei espantado, além do burlesco da situação havia o roubo descarado, o preço que ele me apresentava por um charuto seria o que eu pagaria por três muito bons em qualquer casa de artigos religiosos, que todos sabem não ser nem um pouco barateiras. O cobrado pelo café e um cigarro, daria para comprar um maço de cigarros e teria troco. Fiquei muito envergonhado, não havia levado dinheiro, meus filhos também não. Tentei argumentar que pagaria em outra oportunidade ou voltaria no outro dia para isso. Ele foi muito gentil: - Tem que pagar hoje! – A cara que ele fez ao dizer isso deixou muito claro que não havia como fugir da situação. Graças a Oxalá não morávamos muito longe e pedi ao Rubens, um de meus filhos, que corresse até em casa e pedisse o dinheiro a minha mãe. Em quinze minutos tudo foi resolvido, mas foram alguns dos piores minutos de minha vida. Enquanto o rapaz não voltou, ficamos sentados na assistência já vazia, mortos de vergonha e o Pai Valter na cadeirinha não abandonou o posto por um minuto, também não nos dirigiu uma palavra. Paguei e deixei o troco que ele empurrou por cima da mesa, empurrei de volta. – Pode ficar! – Me retirei e nunca mais voltei ali. Uma coisa essa história me ensinou, nunca mais fui a nenhum terreiro sem ter dinheiro no bolso. Verdade seja dita isso aconteceu há mais de vinte anos e nunca mais vi nada nem parecido. Espero que não existam mais Pais Valteres por aí.
Publicado em: novembro 01, 2007
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Comentários sobre Passei por maus bocados...

Showing 17 out of 17   Adicione seu comentário.
  1. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    1

    salete

    cobrança

    Luiz e eu que pensei ja ter visto tudo,que horror,é só o que consigo dizer,fiquei chocada.axé

  2. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    2

    Rita

    agora posso dizer q tudo é possivel

    inacreditavel....to bexta.....

  3. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    3

    lidia

    homem mesquinho

    Luís,estou espantada com essa história,se fosse comigo,eu começaria a chorar de tanta vergonha e pena,desse homem tão mesquinho.

  4. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    4

    vanessa

    Tô Pasma!!!

    Irmão, não acredito! Mas sabe, outro dia, ouvi uma irmã de Fé dizendo que no terreiro que ela visitou, no final da gira, passavam uma sacolinha na assistência prá arrecadar "fundos"... Pois é, eu já tinha ficado "passada" com está estorinha, a sua me deixou embasbacada!!!

  5. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    5

    Marcello Claudio

    Não é mole não

    Tratamentos como esse, são raros mas acontecem. Tenho uma história para contar também. Mas não aqui. No seu caso, você deixou barato, mostrando educacão. Já no meu......

  6. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    6

    Scristina

    O Contador/ Caixa rsrsrs!

    È Luiz! rsrs..é o que sempre falo o Mercantilismo da Fé, e esse tem até contador, imagina a Mãe Glória ? Tbm participou do Teatro, saiu de fininho, para se eximir da palhaçada! Que bom não cobraram a cêra do chão!!

  7. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    7

    morganamaga

    ação e reação

    Com certeza a dívida que ele está acumulando será cobrada. Como ser tão cego?

  8. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    8

    Alex de Oxóssi

    EPA BABA!!!

    Caro Irmão Luiz Carlos, sinceramente se não fosse você que estivesse falando eu não iria acreditar, falando igual ao Faustão "coisa de looouuuuuucccccoooo".

  9. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    9

    jaqueline

    Inacreditável!!!!!

    Nunca vi nada parecido em minha vida! é impressionante como existem pessoas que vivem da religião (materialmente dizendo) e não vivem para a religião! Mas como não cai uma só folha de árvore sem que nosso pai consinta, só podemos aguardar e esperar que nossos dirigentes ´não se tornem assim!

  10. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    10

    Kelly Christine

    Isso é o fim...

    Nunca ouvir dizer de cobrar do visitante o consumo que o orixá dele utilizou na Gira. Eu também nunca mais voltaria lá.

  11. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    11

    Zilda

    esse pi de santo e louco

    meu amigo como pode uma pessoa que se diz pai de santo cobrar o que um orixa usou para fazer a caridade e ajudar o seu terreiro defendendo e limpando as madades. pois os caboclos e pretos-velhos so fazem caridade. morro e nao vejo tudo.beijos

  12. 0 Avaliações quinta-feira, 1 de novembro de 2007
    12

    Jorge D'Oxaguiã

    Passei por maus bocados...

    Luiz, seria de bom tamanho se na época vc tivesse divulgado o nome do tal Pai Valter e o terreiro no qual ele se encontrava, para que não acontecesse isso com outras pessoas. Um abraço carinhoso. TERREIRO UNZÓ MALAULA KUNA BATE FOLHINHA Salvador-Bahia-Brasil

  13. 0 Avaliações sexta-feira, 2 de novembro de 2007
    13

    Luiz

    COBRANÇA

    LUIZ NA VERDADE DEI 5 PONTOS, PORQUE É UM FATO ILÁRIO E VC NAÕ VERIFICOU SE O SR. VALTER NÃO ESTAVA INCORPORADO COM O NONO CORREA, RSRSRS

  14. 0 Avaliações sábado, 10 de novembro de 2007
    14

    Elcio Junior

    DENEGRINDO A IMAGEM!!!!

    Esse fato reflete a situação que passamos por aí visitando casas que muita das vezes nem conhecemos o membros(não foi o seu caso). Por isso que aqui em casa meu lema é NÃO VISITO outra casa pois já vi e ouvi falar de muitas histórias. Abraços!

  15. 0 Avaliações sábado, 17 de novembro de 2007
    15

    selmynha alves

    dinheiro

    isso ñ foi normal ele queria q as entidade trabalhase sem fuma ou bebe e louco

  16. 0 Avaliações domingo, 10 de fevereiro de 2008
    16

    og phaiol

    uau que coisa

    poxa amigo Luiz que coisa hen, poxa se fosse eu no seu caso, acho que eu teria um troço la.. que situaçao hen? será que esta casa existe ainda?, e a mae no santo onde foi para?..

  17. 0 Avaliações terça-feira, 6 de outubro de 2009
    17

    AldemirSuco

    Puxa que bocado...

    Achei muito bom a forma que você descreveu o texto. Mas foi uma tremenda sacanagem que pai Valter fez contigo, cobrar por uma entidade. Nossa. Que mão de vaca ele. rs rs rs rs. Axé.

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