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Shvoong Home>Artes & Humanidades>Filosofia>Resumo de René Descartes: dúvida como método e certeza como busca

René Descartes: dúvida como método e certeza como busca

Resumo do Livro   por:faenello     Autor : Anderson Francisco Faenello
ª
 

O século XVII assistiu ao nascimento da teoria racionalista, principal característica da modernidade, da qual René Descartes (1596-1650) assume o lugar de iniciador, atribuindo à razão humana, que ele dizia ser distribuída entre todos os seres humanos de maneira proporcional, a capacidade exclusiva de conhecer e de estabelecer a verdade, sendo ela independente da experiência sensível, por ser inata. Por esse motivo, Descartes afirma que todas as coisas devem passar pela dúvida, tendo como método, por excelência, a dúvida metódica. Cabe à dúvida o papel principal na busca da verdade. É por este viés que Descartes chega às verdades que podem ser admitidas como indubitáveis: a própria existência - “penso, logo existo”, a existência de Deus e a existência de todas as demais coisas, de toda a natureza.

Descartes promoveu grande guinada antropológica. No período que o antecede, Deus é visto como o centro (teocentrismo), o demiurgo, o ordenador do cosmos. A partir de então, ou seja, a partir de Descartes, cabe ao homem-demiurgo a missão de constituir o universo (antropocentrismo). Assim, o ser humano começa a se pensar como um Deus mortal, capaz de conhecer, trabalhar e aperfeiçoar a natureza circundante a ele próprio. É a partir do eu pensante que Descarte dá o pontapé inicial. A ordenação do mundo é possibilitada pela subjetividade, ou seja, Descartes parte da subjetividade para a ordenação do mundo externo. Em outras palavras, o mundo é aquilo que é posto pelo sujeito.

Assim Descartes procura levar a cabo a tarefa de edificar a ciência partindo da dúvida, ou seja, busca a certeza usando da dúvida como recurso. Seu interesse não é, de modo algum, pela quantidade de conhecimentos, mas sim, pela sua indubitabilidade. Desse modo, encontra-se Descartes diante de duas possibilidades: ou naufraga no ceticismo atual; ou, por outro lado, chega a descobrir algo completamente novo: o imediato. Com efeito, descobriu o imediato. Sua base sólida é impossível de ser posta em dúvida. Da dúvida mais radical é que surge a primeira evidência, a primeira verdade. Verdade tal que pode ser aceita indubitavelmente: o cogito, a existência do eu. Pode-se afirmar, assim, que o eu cartesiano é a nova base da filosofia. Sua teoria desenvolve-se em torno do sujeito – eu pensante – que, através de sua atividade intuitiva, chega ao conhecimento.

A filosofia cartesiana apresenta-se como uma filosofia crítica. O valor e alcance de nosso conhecimento diz respeito a esse problema crítico. Para resolver isso, Descartes propõe um método que conduza com ordem seus pensamentos. E o método para solucionar o problema crítico é a dúvida. É a partir da dúvida que este pensador chega às primeiras verdades. A dúvida é o caminho que nos conduz à verdade. E foi por este viés que Descartes se certificou quanto a própria existência, a existência de Deus e de toda a natureza.

Descartes duvida de tudo. Não atingimos a verdade se, antes, não pusermos todas as coisas em dúvida. Só aceita o que nos é possibilitado pela razão, pelo cogito. Assim, a certificação da própria existência é aceita por ser considerada proveniente do pensamento, da razão. Toda a existência do eu aparece dada como absolutamente dependente do pensamento. Porém a grande contribuição do cogito se dá num duplo sentido; se por um lado se apresenta como um grande paradigma, ou seja, tudo o que for afirmado deverá ser afirmado como evidência plena do tipo “penso, logo existo”; por outro lado repercute num plano metafísico, isto é, significa o encontro, pelo pensamento, de algo que subsiste, de uma substância. O desdobramento do “penso, logo existo” é: existo, como coisa pensante – realiza-se, então, a superação da separação entre subjetividade e objetividade. O ser enquanto pensamento e o ser enquanto corpo, matéria – “res cogitans e res extensa”. Implicando, assim, em um dualismo entre pensamento, alma: res cogitans (coisa pensante), e corpo, matéria: res extensa (coisa extensa).

É pela conclusão da própria existência que Descartes proclama a autonomia do sujeito, ou seja, com o cogito ele desloca o conhecimento para o sujeito. O sujeito moderno passa a ser um sujeito autônomo, todo-poderoso. A existência é conseqüência do pensar, pois o que distingue os homens é a posse da razão, instrumento universal que permite a estes entenderem-se.

Os demais animais não possuem a capacidade do raciocínio o que os torna inferiores aos humanos, sendo eles dessa forma, inferiores, se encontram a mercê da genialidade dos homens. Assim, como todo o restante da natureza, os animais irracionais estão sob o jugo dos homens. Aos homens é possibilitada a posse e o domínio da natureza. A filosofia moderna, impulsionada pelo cogito cartesiano, é uma filosofia eminentemente prática, na medida em que nos leva a compreender que a inteligência das coisas, a partir de seus verdadeiros princípios, fornece-nos os meios de dominá-las.

O homem tem o poder de dominar a natureza por meio de suas ações. Não está sob o jugo da natureza, mas ao contrário, encontra-se na condição de seu senhor. De escravo da natureza, o homem passa, agora, a ser seu mestre e possuidor. O cogito cartesiano nos remete a exaltação do eu subjetivo. Sujeito auto-suficiente. O sujeito tem a capacidade, o poder de modelação, de dominação que é garantida pela utilização, pela mediação da razão. A razão dá ao homem a capacidade de dominar o mundo, especialmente através da técnica e da ciência.

Publicado em: 08 maio, 2008   
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  1. Responda   Pergunta  :    qual dessas caracteristicas não podemos aplicar a Descartes? rascional, humanista, logica, sensitiva ou religiosa ( 2 Respostas ) Veja tudo
  1. Responda  :    racional quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
  1. Responda  :    Racional domingo, 23 de setembro de 2012
  1. Responda   Pergunta  :    renne descates e suas teorias racionalista Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    a critica ao sujeito pensante do cartesina é feita no sentido de demonstrar que? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o que a duvida sistemática permitiu Descartes encontrar? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    qualmetodo não podemos aplicar ao descartes, ex racional,humanista,logica,sensitiva,religiosa. Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    qual destas caracteristicas nao podemos aplicar a descartes.recional,humanista,logica,sensitiva religiao Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    qual destas caracteristicas nao podemos aplicar a descartes.raciomal,humanista,logica,sesitiva,religiao Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    qual o papel do metodo para DESCARTES? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    em nome de que a razão se rebela contra toda autoridade em materia de conhecimento? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o uso do metodo meditações Veja tudo
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  1. 1. MAGNUSAMARALCAMPOS

    Muito bem escrito !

    Todavia, hoje é uma das coisas que mais se observa, particularmente em esquizofrênicos que não sabem quando alguém "SORRÍ PARA ELE " e quando "DÃO RISADA DELE ".

    0 Classificação segunda-feira, 12 de maio de 2008
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