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Shvoong Home>Artes & Humanidades>Filosofia>Resumo de A crise na educação (Hannah Arendt)

A crise na educação (Hannah Arendt)

Resumo do Livro   por:LuizFilho     Autor : Hannah Arendt
ª
 
Hannah Arendt foi uma pensadora do século XX cuja obra trata sobretudo de filosofia política. Em importante livro seu, Entre o passado e o futuro, Arendt reflete sobre a educação em um capítulo intitulado “A crise na educação”. Mas de qual crise se trata? Para responder, é necessário definir o que é a educação, compreender a essência da educação. A autora nos diz que “a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo”. Nesse sentido, a educação existe em virtude de a criança ser uma aparição no mundo, em virtude de a criança ser um estrangeiro em um mundo estranho que já existia antes de sua chegada, de seu acontecimento. Esse novo ser, por conseqüência, precisa ser introduzido nesse mundo estranho, tarefa que somente a educação pode cumprir.

O conceito que começa a constituir-se aqui é o de "responsabilidade". Melhor dizendo, aos educadores cabe uma dupla responsabilidade: 1) pelas crianças e 2) pelo mundo. 1) Responsabilidade pelas crianças na medida em que se não forem introduzidas em um mundo, com uma tradição, com valores, regras, padrões partilhados socialmente, elas estarão jogadas à própria sorte, exiladas na própria pátria (desoladas, sem solo). 2) Já a responsabilidade pelo mundo se dá porque as gerações futuras herdarão um mundo, deixado por nós, de modo que o mundo precisa guardar durabilidade, precisa ser preservado, após a mortalidade individual de cada um de nós.

A crise na educação, assim, tem origem em causas gerais que transcendem os limites da educação. Não se trata de uma crise particular de um país ou outro, com causas igualmente particulares. Em termos mais precisos, as causas de uma crise na educação encontram-se na crise do mundo moderno. Para adiantar, a leitura de Arendt da modernidade é dramática. Nesse período histórico se dá a bancarrota da esfera pública consoante à constituição da sociedade de massas, o que coloca em cheque o apreço pela "natalidade" e pelo "mundo".
Arendt entende por esfera pública o mundo comum no qual todos podem ser vistos e ouvidos pelos seus atos e feitos e palavras. É a única esfera na qual o homem pode realizar-se como ser humano, como "animal político", distinguindo-se dos outros animais, que somente se ocupam com necessidades de sobrevivência, com questões particulares. Desse jeito, quando os indivíduos de uma sociedade são massificados, quando a singularidade de cada um, expressa pelos seus atos e feitos públicos, é não mais forma de excelência de existência humana, dá-se a bancarrota da esfera pública e a glorificação da esfera privada. Indivíduos que somente se ocupam com questões particulares são seres que, ao modo de animais, apenas cuidam de suas necessidades de sobrevivência.

Em linhas gerais, eis a crise da modernidade que fundamenta a crise na educação. Ora, a educação, cuja essência é “a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo”, fracassa quando é desenvolvida na ausência de uma esfera pública na qual a criança deveria ser gradativamente introduzida. Quando outrora dissemos que a educação tem o propósito de introduzir a criança em um mundo pré-existente, estávamos tacitamente dizendo que a educação deve preparar a criança para adentrar a esfera pública, onde o mundo humano é construído e preservado, e abandonar a esfera privada, a esfera familiar.
Isso não significa que não haja saída, que a educação não pode mais cumprir sua função de introduzir os novos no mundo. Ao contrário, a educação se torna tanto mais fundamental na sociedade e tarefa igualmente mais árdua para pais e professores. Afinal, a despeito da crise de uma esfera pública que anuncie a responsabilidade deles com o mundo e a criança, que deverá preservá-lo amanhã, ainda assim pais e professores devem assumir a responsabilidade se entenderem que “a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.

Publicado em: 12 janeiro, 2008   
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  1. Responda   Pergunta  :    o e pensar sem corrimão Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o que fazer diante da crise´ Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    a autoridade é também algo central na discussão da autora segundo o seu texto,quando abrimosmãos da nossa autoridadede adulto-educadorpermitimos a tirania das crianas.explique. Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    segundo autora,a educaão tem um duplo papel de proteão.detalhe essa afirmaão. Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    quai os argumentos utilizados pela autora paraexplicitar a relevancia de descutir a crise na educação? Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    qual a diferença entre a crise na educação e o ensino Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    em que ano foi publicado Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    quem foi ela Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    o que e educacao Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    a crise na educação e a trajetória histórica da escola moderna Veja tudo
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