A DIMENSÃO ACCIONAL DA LINGUAGEM: O
uso da linguagem verifica-se em diferentes vertentes: ela é utilizada para diferentes fins, sendo um instrumento que serve as relações sociais, envolvendo processos de significação e de compreensão entre os falantes (quando A atribui significado a uma frase, a um sinal, que irá ser identificado por B, que assegura o processo de compreensão).
A interpretação de uma frase depende não só da
competência linguística: do
conhecimento que o falante tem da sua língua materna, das regras e princípios que a regulam, e da respectiva actualização em frases e enunciados; como da
competência comunicativa: do conhecimento que o falante de uma dada língua deve possuir de como usar as formas linguísticas apropriadamente; assim, o uso da língua em situação e num dado
contexto implica conhecimento de comportamentos, atitudes e valores que regulam a sua conduta social.
Qualquer língua apresenta regras e princípios reguladores da actividade verbal, que utilizamos em situação de interacção para compreender o nosso interlocutor e vice-versa.
Pragmática estuda então: 1 – Os Princípios reguladores enquanto instrumentos de acção e comportamento. 2 – As relações entre o sistema da língua e a sua actualização em situação de uso. 3 – O uso que os interlocutores, agindo uns sobre os outros, podem fazer das fórmulas e frases, construídas pela semântica e sintaxe. 4 – A influência do contexto no modo como interpretamos os enunciados. 5 – O estudo dos actos linguísticos e dos contextos em que estes são produzidos.
LOCUTOR, ALOCUTÁRIO e o CONTEXTO são as principais categorias na interacção verbal, que se baseia em variáveis: 1 - RELAÇÃO SOCIAL: nível macro-social = posição dos sujeitos na hierarquia sociocultural e profissional de uma comunidade; nível micro-social = papéis sociais em situações específicas de interacção, para os quais se conhecem princípios reguladores. 2 - ESPAÇO E TEMPO: noção das estruturas linguísticas necessárias à realização de enunciados. “O cão escondeu-se atrás do sofá” = interpretação implica identificação de predicado e noção de espaço físico dos elementos envolvidos. 3 - DISCURSO ANTERIOR: o que se diz e como se diz é condicionado pelo que já foi dito, referido ou produzido anteriormente. 4 - UNIVERSO DE REFERÊNCIA: conjunto de categorias existentes ou possivelmente existentes do nosso conhecimento do mundo, e de categorias e relações que fazem parte do conhecimento real ou possível dos falantes inseridos nos diferentes contextos. Assim, a utilização de uma qualquer palavra relaciona-se com outros conceitos e evoca inúmeras relações que, entre locutores, podem assumir concepções distintas; em situações distintas de interacção verbal, locutores interpretam e activam conceitos diferentes, mediante o tipo de relação que estabelecem com o seu interlocutor. 5 - INFORMAÇÃO E RELEVÂNCIA: informação pode não assumir o mesmo significado por ambos os interlocutores, dependendo do conhecimento
social de cada falante; predomina informação e relevância quando se acrescenta algo de novo ao que fora dito (respeitando as máximas conversacionais de Grice), e quando um enunciado é produzido e reconhecido pelo interlocutor como sendo relevante. Esta relação (informação e relevância) processa-se de forma prosódica, aquando da realização fonética da mesma; de forma sintáctico-semântica, pela presença ou ausência de conectores ou precária utilização; de forma interaccional, pela cooperação entre locutores através de múltiplas estratégias.
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