ATRACÇÃO EXERCIDA PELAS PREPOSIÇÕES SOBRE OS PRONOMES PESSOAIS COMPLEMENTARES – Sempre que um verbo, regido pela preposição, anteceda um infinito, ligado a qualquer forma do pronome pessoal atónico, este será normalmente colocado o mais próximo possível dessa preposição.
Exemplos: "Gostaria de
te falar a sós...", "Estou preparado para
te ouvir confessar o disparate que fizeste..." e "Até
se desvendar a verdade sobre o assunto, muita gente ainda será incomodada".
Às vezes surgem, porém, exemplos contraditórios desta regra na prosa de autores consagrados, como Camilo Castelo Branco, facto que não nos obriga, como é óbvio, a imitá-los: "Queria ter padecido mais para
convencer-me de que és a minha recompensa..." (trecho das "Cenas Inocentes da Comédia Humana", página 160, 5ª edição). Noutra obra do mesmo autor, encontrámos também esta redacção espúria, com o
Pronome complementar em posição deslocada: "O seu advogado lia a declaração, e carecia de coragem para
impugnar-lhe a validade..." ("O Bem e o Mal", página 198, edição de 1978).
Ora, para que as frases daquele escritor ficassem impecáveis na sua redacção, os pronomes oblíquos /
me/ e /
lhe/ teriam de ser colocados logo a seguir à preposição “para”, e não após os verbos no modo infinitivo.
É desculpável, porém, em casos semelhantes, recorrer-se à deslocação pronominal, desde que se procure
evitar sons desagradáveis ou cacofónicos. De qualquer maneira, com um pouco de cuidado, será sempre possível evitar o embate de sílabas dissonantes, sem transgredirmos as normas gramaticais.
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