Paulo de Tarso Galembeck começa seu ensaio falando da principal característica da conversação que é “o fato de que os interlocutores alternam-se nos papéis de
falante e ouvinte”. O
turno conversacional é “a participação de cada um dos interlocutores”, ou seja, é o exercício da fala, quando um
interlocutor passa de
ouvinte a falante ele dá início ao seu turno.
Depois da definição, a primeira questão sobre o turno conversacional desenvolvido por Galembeck é a questão da simetria e assimetria, ou seja, se os interlocutores contribuem igualmente para o desenvolvimento do tópico conversacional (assunto) e para a iniciação de novos tópicos, ou se um dos interlocutores desenvolve um papel diferenciado efetivamente desenvolvendo o tópico enquanto o outro apenas acompanha o que está sendo dito.
Quanto aos tipos de turnos Galembeck diz que o turno pode ser nuclear ou inserido.O turno nuclear “possui um valor referencial nítido, ou seja, que veicula informações”. É o turno nuclear que efetivamente desenvolve o tópico conversacional. São turnos nucleares todos aqueles que trazem algo de novo a conversação.
Já o turno inserido “não tem um caráter referencial, ou seja, não desenvolve
o tópico”. Tem como função apenas demonstrar que o interlocutor que não está de posse do turno naquele momento “acompanha, monitora e vigia” o que o outro interlocutor está dizendo.
Os turnos inseridos podem ter função interacional, demonstrando que o interlocutor está acompanhando e/ou concordando com a exposição que está sendo feita pelo outro interlocutor e que “o canal de comunicação está aberto e que, assim, o falante pode continuar a sua fala”. São exemplos de turnos inseridos com função interacional as expressões uhn, uhn, né? Certo? etc. Algumas vezes o turno inserido também contribui para o desenvolvimento do tópico, mas isso acontece “incidentalmente”, em geral, resumindo as palavras de seu interlocutor.
Outra questão abordada por Galembeck em seu ensaio é a troca dos falantes, já que essa é a principal característica da conversação. O autor apresenta duas possibilidades para que essa troca aconteça: a passagem e o assalto.
Na passagem do turno “a colaboração do outro interlocutor é implícita ou explicitamente solicitada”, podendo essa passagem ser requerida, quando o falante encerra seu turno com uma pergunta do tipo né?, não é?, entende?, buscando a confirmação do ouvinte, ou consentida, que “corresponde a uma entrega implícita”, embora o interlocutor não solicite ao ouvinte que este tome posse do turno, ele indica, geralmente com uma pausa, que já concluiu o seu.
No assalto ao turno a intervenção do ouvinte não é nem implícita nem explicitamente solicitada, na verdade a intervenção simplesmente invade a fala do interlocutor de posse do turno. O assalto também pode acontecer de duas maneiras: com deixa e sem deixa.
No assalto com deixa, o ouvinte invade a fala do interlocutor num momento de hesitação, pausa ou alongamento, enquanto no assalto sem deixa a entrada é “brusca e inesperada”, pois não houve nenhuma hesitação do falante.
Galembeck fala também sobre a sustentação do turno, caracterizada pelo preenchimento das “brechas” ocorridas durante a fala com marcadores do tipo entende? não acha?, que buscam a aprovação do ouvinte, repetições de palavras ou sílabas, alongamentos, e elevação da voz, para que o ouvinte entenda que o falante ainda não encerrou seu turno. Com esses recursos ele mantém a posse do turno.
O autor conclui dizendo que “o estudo da tipologia do turno conversacional e dos processos de gestão do mesmo revelam que a conversação tem por característica intrínseca o dinamismo”, e é esse dinamismo que impede que regras rígidas sejam estabelecidas e totalmente aplicáveis a um texto conversacional.
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