“Em que se vai trocando as pernas”(Português ou Brasileiro – Um convite à pesquisa;3ª Ed. – 2002) – Marcos Bagno
No texto Marcos Bagno trata da inexistência ou mito (como ele mesmo o chama) da “
passiva sintética ou passiva pronominal”. Segundo as gramáticas normativistas a estrutura passiva no português do Brasil, se dá em orações com
verbo ser (raramente: estar, ficar, vir, etc..) seguido de um particípio passado, assim chamada de passiva analítica.
A partícula SE mencionada por Said Ali, Monteiro e Bagno ocupa a posição de sujeito, isso apartir de uma analise mais profunda e diferenciada das que comumente é encontrada nas gramáticas e manuais didáticos.
O autor expõe os seguintes exemplos:
Lá em casa se lê muito. Lá em casa se lê muito jornal. O autor apresenta a noção de que esse SE não pode ser outra coisa, na função sintática das oração, de que não seja a de sujeito indeterminado. E que a única diferenciação entre as orações é a que na primeira o verbo é intransitivo e na segunda o verbo é transitivo direto, temos então, o jornal como objeto direto. Bagno julga, ainda “descabida” conceitos como “SE apassivador”, “passiva sintética”, “passiva pronominal”.
Bagno parte para exemplos cotidianos em que autores, jornalista e escritores não aplicam a regra normativa de concordância para uso do SE, como em:
(6) “Num debate entre gente mais culta que eu, reclamei do primarismo com que
se rotula os outros...” Seguindo suas evidencias o autor trata da questão dos velhos macetes empregados para se transformar uma passiva sintética em passiva analítica. E por meio de exemplos Bagno mostra a total ilogicidade existente nesse processo que é falho em algumas frase como em:
Quantos minutos se leva daqui até lá de carro?
Quantos minutos são levados daqui até lá de carro?
Em seu texto Bagno mostra de uma forma categórica e inrefutável que a “pseudopassiva sintética” ou “pseudo passiva pronomonal” não passam de um mito contado pelas gramáticas normativas ou um fantasma que paira sobre nossas cabeças.
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