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Naming and Necessity

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Autor : KRIPKE, Saul A.
Resumo escrito por : Bartelby
Visitas : 209  palavras: 600   Publicado em: maio 09, 2007
     Como o próprio Kripke reconhece, na terceira leitura de Naming and Necessity , os teóricos da identidade apresentaram argumentos positivos a favor da identificação entre tipos mentais e físicos, mas Kripke não responde a esses argumentos positivos.
     O que Kripke mostra de uma maneira geralmente não apreciada antes dele é que o materialismo identitativo tipo-tipo é modalmente problemático. A teoria da identidade de tipos é em certo sentido o alvo da terceira leitura, mas é-o em sentido diferente em que a teoria da referência descritivista clássica é o alvo das duas primeiras leituras de Naming and Necessity. Nestas o objectivo de Kripke é mostrar que o quadro geral dado pela teoria descritivista clássica de como a referência é determinada parece estar errado logo nos seus fundamentos. Mas, na terceira leitura, o objectivo de Kripke é levantar dúvidas acerca da teoria identitativa de tipos (e de exemplares).
     As dúvidas que Kripke levanta, em relação à teoria identitativa de tipos, podem resumir-se nos seguintes três pontos:
     1. uma teoria que identifica a dor com um certo estado neuronal (por exemplo, a estimulação das fibras-C) tem consequências modais que são, pelo menos à primeira vista, profundamente contra-intuitivas;
     2. o teórico da identidade de tipos deve mostrar porque é que devemos aceitar a sua teoria apesar das aparentemente profundas consequências contra-intuitivas (por exemplo, mostrando que, após reflexão, tais consequências não são assim tão contra-intuitivas quanto parece à primeira vista);
     3. o teórico da identidade de tipos de facto não mostra porque é que devemos aceitar a sua teoria.
     Ora Kripke argumenta de maneira convincente em relação a 1 (a teoria identitativa de tipos de facto tem consequências modais profundamente contra-intuitivas) e a 2 (o teórico da identidade de tipos, se quer defender a sua teoria, de facto tem que mostrar porque é que tais consequências  não são contra-intuitivas), mas discute-se se argumenta de maneira convincente em relação a 3: há quem defenda que, por tudo aquilo que Kripke mostra, 3 pode ser falso (o teórico da identidade de tipos pode mostrar porque é que devemos aceitar a sua teoria) e que este resultado não mostra uma fraqueza na argumentação de Kripke, pois, talvez, a intenção de Kripke na terceira leitura de Naming and Necessity seja argumentar a favor de 1 e a favor de 2 e registar a sua crença em 3, sem argumentar a favor de 3.
     Mas Kripke refuta o materialismo identitativo de tipos. Vejamos como.
     Identidades como "água = H2O" são necessárias, mas parecem contingentes porque são erroneamente confundidas com identidades de facto contingentes como "o líquido incolor, transparente, bebível, no qual se toma banho = H2O", inferindo-se falaciosamente da contingência destas a contingência daquelas: propriedades superficiais da água são erroneamente confundidas com propriedades essenciais da água. Mas, contrariamente a casos como o da água, é possível que dor não seja estimulação das fibras-C: as propriedades sob as quais nos aparece a dor são propriedades essenciais da dor e se pode dar-se o caso de não ser estimulação das fibras-C, então dor não é estimulação das fibras-C. Contrariamente a casos como o da água, alegadas identidades como "dor = estimulação das fibras-C" não são necessárias de facto e logo não são identidades.
     Kripke refuta o materialismo identitativo de tipos e não podemos concordar com aqueles que dizem o contrário.

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