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O mesmo é sentir e pensar. Algumas analogias com a filosofia da natureza, de Immanuel Kant. A partir

por : Anonymous    

Autor : Aquilino Ribeiro
A ontologia, como primado da existência sobre a essência, não interessa aqui e agora para nada. O que é que nós sabemos?
Sabemos que pensamos que sentimos que pensamos. Assim, o mesmo é pensar e sentir e vice-versa.
O sentimento estético, que é o que aqui nos ocupa o pensamento, foi intuído por Kant, em especial na Crítica da Faculdade de Julgar . Aquilino Ribeiro é um pensador da estética da natureza. Não será arriscado afirmá-lo. E, a juntar ao sentimento/pensamento humano do bicho-homem, Aquilino integra os bichos-bichos (e até os bichos-plantas ), como seres de sentimentos, logo de pensamentos: “Quando se passa à vista dessas serranias, perfiladas no horizonte, que têm o seu quê das monticulações dos formigueiros, cheias de povos, de passaredo, de bicheza humana e montesinha, toma-nos, da projecção de nossa pequenez sobre a imensidade e o mistério da distância, um sentimento que tanto pode ser de exaltar como de deprimir.”
Dizia Kant que quem nos rouba a palavra, rouba-nos o pensamento. De facto, a sua capacidade de comunicar é a possibilidade que temos, ainda hoje, de tentar compreender o seu pensamento. Assim se passa com os escritores, assim se passa com Aquilino. A linguagem é o oxigénio da natureza. Seja através de sinais sonoros, visuais ou outros, seja através da palavra articulada, tudo na natureza é comunicante.
Em Kant, afirma-se o primado da natureza sobre a arte e da beleza natural sobre a beleza artística. Em Aquilino, também: “De resto, a Primavera é uma pintora inigualável, enciclopédica, senhora de uma paleta que está ainda para nascer o grupo impressionista ou o laboratório de croma capaz de a suplantar.” Kant afirma, na Crítica da Faculdade de Julgar : “Tomar interesse imediato pela beleza da natureza é sempre sinal de boa alma; e se este interesse é habitual, pelo menos indica uma disposição do ânimo favorável ao sentimento moral, se de bom grado se associa à contemplação da natureza.” Em Aquilino Ribeiro, o sentimento estético e o sentimento ético não se confundem, mas comungam da mesma malga: o amor pela natureza. Diz Urbano Tavares Rodrigues em O Génio de Aquilino , que Aquilino Ribeiro “é livre-pensador e anticlerical, mas uma irreprimível atracção o faz abeirar-se dos franciscanos. Percebe-se. A religião deles é de amor, não de castigo e, pobre de teorética, abre-se toda para a natureza.”
Não se pretende aqui acentuar as semelhanças entre Kant e Aquilino Ribeiro. Kant foi filósofo, Aquilino foi um homem de letras, um romancista, um contador de histórias. O que há em comum é o respeito pela natureza e pelos homens, dignificados por um sentimento estético, proporcionado por um favor da natureza. A filosofia de vida também terá pontos em comum. Mas o que parece uni-los como a água ao copo, é a intuição do pensamento como sentimento. E, neste, a nobreza do sentimento estético. Porquê Aquilino? Porque é um escritor português, do século XX; porque é uma esperança, de que o estético venha a prevalecer simplesmente por aquilo que é – um desinteresse interessado, um sentimento pensado, uma forma digna de vida. Para Aquilino, a natureza vale pelo que sente, pelo que dá e pelo que merece. O homem, para ser homem, tem de (se) merecer tamanha dádiva. Em Kant, o sentimento estético permite pensar a natureza como teleologia. O mesmo nos diz a prosa poética de Aquilino Ribeiro: “Dado que pudéssemos medir o mundo por outra toeza, outro galo nos cantara. Mas a nossa insignificância exige precisamente esta pessoalidade de comensuração, donde resulta que a Primavera, por exemplo, não é um fenómeno com a sua ciclicidade de todo independente do indivíduo, mas uma forma do seu estado de ser. As rosas têm mais ou menos perfume conforme o momento de sensibilidade de quem as aspira. O prado de um proprietário é sempre mais bonito que o prado do vizinho. (…) Se o homem tivesse olhos, como as máquinas fotográficas, puramente objectivos, gozaria por certo o mundo de forma invariável, um só tom, uma só forma, uma só gama. Todavia é na diversidade da retina que reside a ciência: o bem e o mal. Uniforme só o olhar dos anjos.”
Que valor para a filosofia, enquanto estética da natureza? E que natureza, como objecto ou paradigma estético? Será este um (ou o) caminho para salvar a natureza e a relação do homem com ela? A escolha de Aquilino Ribeiro tem sobretudo a ver com as possibilidades de resposta a questões como esta. Penso que não foi em vão.
Ficou guardado para o fim um dos trechos mais refrescantes da Geografia Sentimental : “A existência de um depende do excídio de outros. Esta ciclicidade da vida e da morte poderia fazer desesperar da nossa condição de viventes, se nos puséssemos a filosofar. Quem se dá ainda a tão fútil passatempo?”
Publicado em: abril 30, 2007
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Comentários sobre O mesmo é sentir e pensar. Algumas analogias com a filosofia da natureza, de Immanuel Kant. A partir

Showing 5 out of 5   Adicione seu comentário.
  1. 0 Avaliações quarta-feira, 2 de maio de 2007
    1

    MAGNUSAMARALCAMPOS

    ESTE É O FIM DAS NEUROSES HOMOSSEXUAIS !

    Aquí está escrito, nesta página , como se faza UNIÃO DO CORPO COM A ALMA. Como é que ainda podem existir tantas pessoas com NEUROSE em todo o mundo ? SErá que não entenderam o que está escrito ??? Parabéns por tudo ! Abraços.

  2. 0 Avaliações quarta-feira, 2 de maio de 2007
    2

    MAGNUSAMARALCAMPOS

    ESTE É O MAIOR TRABALHO DE TODA A RAÇA HUMANA ! " INIMPAREGIÁBILE " !

    Deveria sofrer maior destaque por parte do SchvOOng. Arrebenta qualquer NEUROSE ( particularmente as HOMOSSEXUAIS ). Quem tiver dificuldade em entender o que está escrito, pode procurar por meu auxílio - Magnus Amaral Campos

  3. 0 Avaliações quinta-feira, 3 de maio de 2007
    3

    MAGNUSAMARALCAMPOS

    NÃO SE IMPRESSIONE SE , MESMO APÓS TER LIDO NÃO TIVER ENTENDIDO COMO SE FAZ ESSA UNIÃO !

    Se necessitar , peça auxílio . Eu posso "traduzir" isso para você - Magnus Amaral Campos - "O TRADUTOR ".

  4. 0 Avaliações sexta-feira, 4 de maio de 2007
    4

    MAGNUSAMARALCAMPOS

    " PENSO, LOGO EXISTO ", é no mínimo, uma frase burra segundo KANT !

    Agora já posso explicar aquilo que digo em um abstrato, e no qual fui censurado pelo SchvOOng por estar escrevendo artigos que não foram escritos ! Essa frase de DESCARTES é no mínimo burra ! O mais viável, segundo KANT é "PENSO, LOGO SINTO ". Entendeu ?

  5. 0 Avaliações terça-feira, 15 de maio de 2007
    5

    MAGNUSAMARALCAMPOS

    LEIA A PARTE FINAL EM

    " A FINALIDADE SUBJETIVA É PENSADA ANTES DE SER SENTIDA "

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