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A EDUCAÇÃO E O CONCEITO DE MESTIÇAGEM EM MICHEL SERRES
A EDUCAÇÃO E O CONCEITO DE MESTIÇAGEM EM MICHEL SERRES
align="justify">É na sua obra mais marcante, obra esta que o levou a
Academia Francesa de Letras, que Serres desenvolve o conceito de mestiçagem e aborda questões pertinente à educação. Em
Lê Tiers Instruit (O Terceiro Instruído) - que recebeu da tradução brasileira o título de
Filosofia Mestiça - Serres desenvolve a idéia de que todo processo de conhecimento é mestiçagem. Para o filósofo, o próprio “jogo da pedagogia não é jogado a dois, viajante e destino, mas a três. O lugar mestiço intervém aí como soleira da passagem”, onde tudo se mescla e se mistura. Serres nos mostra que, o processo pedagógico, implica necessariamente numa mestiçagem, envolvendo mestre, aprendiz e o próprio conhecimento o qual, segundo ele, é tecido como uma colcha de retalhos. Nas palavras de Serres: “Toda evolução e todo aprendizado exigem a passagem pelo lugar mestiço. De forma que o conhecimento, seja pensamento ou invenção, não cessa de passar de um lugar mestiço a outro, se expondo sempre portanto, e aquele que conhece, pensa ou inventa logo se torna um pensante mestiço.” Portanto, não existe conhecimento puro e estável. “Os
saberes não se delineiam como continentes cristalinos ou sólidos fortemente definidos, mas como oceanos, viscosos <...>”. O filósofo conclui que; “O aprendizado abre no corpo um lugar de mestiçagens, para ser preenchido por outras pessoas. Ele se torna gordo”. Partindo dessa idéia levantada por Serres, chegamos a conclusão de que; quanto mais aprendemos, mais receptivos nos tornaremos a novas experiências, a novos conhecimentos, ao outro; ao ponto de não mais afirmarmos como pertencentes a este ou aquele domínio estritamente demarcado mas, reconhecermos que; todos eles tecem o nosso “casaco de Arlequim”. No dizer desse filósofo, “<...> os saberes não se delineiam como continentes cristalinos ou sólidos fortemente definidos, mas como oceanos, viscosos e sempre batidos”. Michel Serres faz uma crítica ao sistema educacional que vigorou ao longo da história o qual, segundo ele, revela-se intensamente fragmentado. Ensinam-se ciências naturais que silenciam sobre os homens e ciências humanas que jamais falam sobre o mundo, o que torna por formar pessoas cultas ignorantes e especialistas totalmente sem cultura, mais capazes de produzir a barbárie do que a educação que cultive o exercício do pensamento e da invenção.