BUSCA PRIMORDIAL Ninguém pode encontrar fora o que está dentro de si mesmo. Esta afirmação contém uma significação tão elevada que escapa à compreensão racional humana.
Porque somos, a maioria de nós, modelados por uma cultura racionalista, temos tendência de “endeusar” esta faculdade humana de aquisição/produção do conhecimento. Isto nos predispõe a negar procedência ao que a razão não conseguir compreender e/ou explicar e, mais comprometedor ainda, não hesitamos em divinizar tudo aquilo que nos supera.
Mas quem procura encontra, se souber o que procura. Sim, precisamos ter clareza do que queremos para termos êxito, mas quase sempre nos deixamos enredar pela significação ambígua das palavras e perdemos o norte de nossa busca.
Este entendimento aplica-se literalmente ao tema e quase nos deixamos trair pela significação aparente, a ponto de considerarmos primordial a nossa busca, quando queremos buscar o que é primordial em nós.
Uma vez obtida a certeza do que queremos, cumpre ainda definir o que consideramos primordial e, como recebemos uma modelagem sócio-cultural que nos induz a olhar para fora, temos dificuldade para localizar o que é primordial dentro de nós.
Vencida a fase inicial e adquirida a certeza de que está em nós o objeto de nossa busca, fica mais fácil de reconhecer que o primordial é a Centelha Divina que nos confere a condição humana, não importa se a denominamos de Alma, Espírito, ou Anjo da Guarda.
Agora, sim. Sabemos o que queremos e aí começa a nossa jornada que, esperamos, nos levará ao encontro do que procuramos; mas logo nos primeiros passos nos deparamos com uma dificuldade assustadora – OS MEIOS. De que meios dispomos para empreender esta – que passamos a considerar a realização da nossa vida?
E aí começam a desfilar em nossa mente os mais fantásticos recursos: inteligência; raciocínio lógico; cultura milenar; Fé; meditação transcendental e vai por aí afora, num desfile interminável de meios e métodos, cada um mais promissor do que o outro, mas passado um longo tempo de vivo empenho, voltamos a sentir a mesma sensação de vazio interior; vem o desânimo que leva uns a desistirem do propósito, outros a tentar através de outras pessoas, de pesquisas ou de estudos bibliográficos e nada obtêm.
Ficamos diante de um impasse que nos deixa perplexos: desistir significa reconhecer o fracasso, mas não temos como prosseguir em nossa busca, de vez quer já esgotamos todos os meios de que “dispúnhamos”, mas nada de admitirmos que cada um é APRENDIZ E MESTRE DE SI MESMO. Sim, é isso mesmo. Perguntamos a todos mas não perguntamos a nós.
Se perguntássemos e nos tornássemos receptivos à voz que vem de dentro, acabaríamos por descobrir que temos em nós uma extraordinária capacidade para adquirir conhecimentos, que se chama CONSCIÊNCIA. E, o que é mais importante, este notável componente do Ser Humano tanto pode adquirir os conhecimentos provenientes dos sentidos da visão, audição, tato, paladar e olfato, como pode adquirir conhecimentos provenientes do Plano Divino.
Sim, a consciência tem um componente de natureza não material, que lhe permite a comunicação direta com o Ser Divinal que habita em cada pessoa e receber deste as respostas que nem a inteligência, nem o raciocínio lógico, nem a cultura, nem a Fé, nem a meditação foram capazes de oferecer.
Aquele que lograr a penetração nesta dimensão de si mesmo e, através dela, poder dizer: “EU SEI”, em vez de “EU CREIO”, inevitavelmente reconhecerá que ENCONTROU o que é primordial em si mesmo e então, tendo se tornado a um só tempo APRENDIZ E MESTRE, desfrutará de uma serenidade, paz e harmonia interior tão completa, que adquirirá condições permanentes de obter o conhecimento que procura diretamente do seu Ser Divinal e, se este conhecimento se situar no plano cósmico, a parte de natureza não material de sua consciência poderá se desvincular temporàriamente da parte de natureza material desta mesma consciência e, guiada e protegida pelo Ser Divinal, poderá se deslocar a qualquer parte, tanto do macro como do microcosmo, e obter o conhecimento que procura diretamente em sua fonte de origem.
Mais críticas sobre www.filoev.com.br