Como já havíamos dito, a “Crítica da Razão Pura” é uma avaliação das fontes e dos limites do conhecimento humano. Sendo assim, não é um “exame da natureza das coisas”, mas simplesmente uma “crítica da nossa própria razão, do nosso aparato cognitivo”.
Todavia para compreendermos melhor a Crítica, devemos saber de suas partes constituintes: a Estética Transcendental, a Lógica Transcendental – divida entre Analítica Transcendental e Dialética Transcendental. Aqui, entretanto, trataremos da introdução à Lógica Transcendental.
Além da sensibilidade (âmbito da Estética), o ser humano possui ainda uma outra fonte de conhecimento: o intelecto (âmbito da Lógica). Na estética, os objetos nos são apresentados ou dados; na lógica eles são pensados.
Na Lógica, o objeto é julgado através dos conceitos que o intelecto produz. Todavia, para a devida compreensão desta introdução, é preciso esclarecer que os conceitos são noções que antecedem à experiência, são elementos (poderia se dizer predisposições) do pensamento.
São os objetos – enquanto pensados – que se regulam pelos conceitos do intelecto (noção de síntese): “das coisas, nós só conhecemos a priori aquilo que nós mesmos nelas colocamos”. Deste modo, identificamos também o termo “transcendental” – sendo este o conhecimento que se relaciona com o nosso modo de conhecer os objetos.
A Lógica Transcendental é a “ciência das regras puras” para pensarmos os objetos. Ou seja, procura estudar as condições de pensamento, buscando regras puras a priori e suas validades para os indivíduos em geral. Estas regras são para uma apreensão coerente dos objetos.
Com o intuito de designar os conceitos do entendimento puro, Kant explica que todo juízo pode ser considerado sob quatro pontos de vista: da quantidade, da qualidade, da relação e da modalidade. Para cada um desses pontos de vista, há a possibilidade de três espécies de juízos.
Portanto há doze conceitos fundamentais a priori (ou puros) de conhecimento, ou simplesmente categorias do entendimento:
& middot; Da quantidade – tem-se as possibilidades de Unidade, Pluralidade e Totalidade.
· Da qualidade – tem-se as possibilidades de Realidade, Negação e Limitação.
· Da relação – tem-se as possibilidades de Substância (e acidente), Causa (e efeito) e Reciprocidade.
· Da modalidade – tem-se as possibilidades de Possibilidade, Existência e Necessidade.
Já os conceitos a posteriori (ou empíricos), são noções gerais que definem classes de objetos; tais como conceito de vertebrado, conceito de prazer e etc.
É de extrema importância a “sintonia” entre as dimensões kantianas de Estética e Lógica Transcendental, para obter o conhecimento (embora limitado). O conhecimento só está pronto a partir do momento que, houver uma interação das intuições puras (Estética) com o entendimento (Lógica).
Conhecer é intuir o objeto, conhecer é julgar o objeto. O conhecimento é uma síntese do pensamento mais intuição. Nas palavras do próprio: “conceitos sem intuições são vazios, intuições sem conceitos são cegas”.
Mais resumos sobre Kant e o objetivo da "Crítica da Razão Pura" (Parte II)