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Resumos e revisões curtas

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O local da cultura

por : TatianaAnflor    

Autor : Homi Bhabha
Em O local da cultura, o pensador indo-britânico Homi Bhabha defende a utilização do conceito de “diferença cultural”,
em vez de “diversidade cultural”. O autor mostra um problema que se faz presente em praticamente todas as áreas do conhecimento humano, mas que seria algo como um “território perdido” nos debates contemporâneos. Sua proposição é pensar as fronteiras da cultura como um problema relativo à expressão da diferença cultural, o que significa ir além do reconhecimento e do acolhimento das diversidades, bem como da crítica aos racismos, ás discriminações e às exclusões. Para Bhabha, enquanto o conceito de diversidade cultural conduz, essencialmente, a uma discussão filosófica, a idéia de diferença cultural remete à enunciação da cultura, isto é, a um processo através do qual se produzem afirmações a respeito da cultura, que fundam e geram diferenças e discriminações, ao mesmo tempo em que estão na base da trama de relações de poder e de práticas sociais muito concretas, de institucionalização, de dominação e de resistência. No capítulo intitulado “DissemiNação”, Bhabha elabora o conceito de nação partindo de variações que recusam uma narrativa unitária, fundadora de sentido e organizadora do caótico a partir de um discurso “edificante”. Segundo esse pensador, o nacionalismo do século XIX revelou sua arbitrariedade ao construir discursos unissonantes, como se a nação tivesse uma nascente única. Os conflitos são ignorados, privilegiando uma concepção unidimensional da cultura, percebida como um conjunto de legados imemoriais. O discurso do nacionalismo articula um tipo de narrativa que privilegia a coesão social: “muitos como um”. Opondo-se a isso, esse teórico busca pensar a nação a partir de suas margens: as vivências das minorias, os conflitos sociais, o arcaísmo chocando-se com o moderno. Trata-se do questionamento da “visão homogênea e horizontal associada com a comunidade imaginada da nação” Bhabha discute, ainda, o caráter performativo da apropriação singular do nacionalismo. Só há nação porque há apropriação, e toda apropriação é uma quebra de sentido, portanto, uma quebra da coerência narrativa. Ao considerar a escrita da nação a partir da idéia de rompimento, o autor apresenta a própria recusa de narrá-la. Apresentada de forma unitária, a nação atém-se à pedagogia da sabedoria moralizante, possuindo uma coerência que carrega a própria sabedoria moral e justifica a unidade como fim em si. Se, para esse teórico, a narrativa foi banida das dimensões modestas da vida, ela retorna com plenos poderes no discurso nacionalista, constituindo unidades e coerências jamais pensadas. A escrita da nação de Homi Bhabha está unida à dimensão performativa do nacionalismo, recusando o sentido unitário e a “sabedoria moral” da narrativa absolutista. Pode-se dizer que “a dificuldade de escrever a história do povo como agonismo intransponível dos vivos” tem sua origem na recusa ética de narrar, na negação do sentido coeso e na desobrigação de escrever um texto fechado, cujos vazios retoricamente suprimidos domesticam as confluências diversas que atuam como fonte para qualquer relato da existência. A escrita jamais pode dar conta das infinitas intervenções que transpassam a vivência.
http://tatianflor.vila.bol.com.br/tatiana.html
Publicado em: junho 30, 2007
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