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Resumos e revisões curtas

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O erotismo

por : TatianaAnflor     

Autor : Georges Bataille
Georges Bataille inicia a introdução de sua obra afirmando que há uma relação entre morte e erotismo. Para explicar o que,
em um primeiro momento, parece contraditório, já que o instinto de reprodução remete à vida, o autor utiliza-se de duas idéias opostas: continuidade e descontinuidade. Ele explica que todos somos seres descontínuos, na medida em que somos individuais, diferentes e sós. Essa diferença jamais poderá ser suprimida, apesar de todos os esforços de comunicação. Bataille afirma que entre um ser e outro há um abismo de descontinuidade. Embora o erotismo oponha-se à reprodução, ela é o seu fundamento. A reprodução envolve a relação entre dois seres descontínuos que, por originarem-se da fusão de outros dois, óvulo e espermatozóide, trazem em si a continuidade. Somos descontínuos, morremos isoladamente, mas trazemos em nós o que Bataille chama de “nostalgia da continuidade perdida”. Essa nostalgia é a base das três formas de erotismo de que fala Bataille: erotismo dos corpos, erotismo dos corações e erotismo sagrado. Nessas três formas de experiência erótica sempre encontraremos a busca pela substituição do isolamento do ser, a substituição de sua descontinuidade por um sentimento de continuidade profunda. O erotismo dos corpos mostra qualquer coisa de pesado, de sinistro. Ele dissimula a descontinuidade individual e é sempre um pouco no sentido de um egoísmo cínico. O domínio do erotismo será sempre o da violência, pois arrancar o ser da descontinuidade é um ato violento comparável com a morte que nos tira da nossa persistência em conservar o ser descontínuo que somos. Ao mesmo tempo em que buscamos a experiência da continuidade, a tememos, por ela simbolizar a morte. Tememos o aniquilamento da individualidade descontínua. A passagem do estado normal ao desejo representa a dissolução do ser descontínuo, uma espécie de alquimia sexual. A realização erótica visa à destruição da estrutura do ser fechado, propiciando a sua dissolução. O erotismo dos corações sempre tem origem no dos corpos, mas difere dele por alcançar uma estabilidade proveniente da afeição entre os amantes. Aqui também há violência, pois a paixão pode ser mais brutal do que o simples desejo, fazendo com que a felicidade anunciada se transforme em perturbação. Trata-se da relação entre dois seres descontínuos que anseiam uma continuidade impossível, despertando desejos de morte quando da constatação dessa impossibilidade. Há a impressão de que somente o ser amado poderá realizar a fusão sonhada, ocasionando sofrimento ao se perceber que isso é inalcançável. O ser deseja formar um só coração com o outro e sofre com a ameaça da perda. Esses sentimentos, ligados à morte, tornam o relacionamento egoísta e, portanto, descontínuo. A transcendência do ser pode ser alcançada através da terceira forma de erotismo, o sagrado. Nesse caso a ação erótica é comparável ao sacrifício religioso: a morte ritualística quebra a descontinuidade por meio do retorno ao divino. A continuidade do ser não é conhecível, mas sua experiência nos é dada através da experiência mística. O erotismo é um aspecto da interioridade do homem que se opõe à sexualidade animal. Ao escolher um parceiro, os humanos levam em conta preferências que se originam em aspectos de sua interioridade. O homem diferencia-se dos outros animais por sua capacidade de fabricar instrumentos que supram suas necessidades, por meio do trabalho. Ao mesmo tempo, caracteriza-se pela imposição de certas restrições, ou interdições, que se tornaram necessárias conforme a civilização se desenvolvia. Com o passar dos séculos o homem foi aprimorando o trabalho, adquirindo consciência da morte e reprimindo a sexualidade, dando origem ao erotismo. Para Bataille, o erotismo representa um tipo de religião, porém, sem os dogmas das religiões oficiais. Uma experiência erótica interior verdadeira, em sentido religioso, pressupõe a consciência da oposição entre interdição e transgressão, além de uma vivência dessa oposição. geralmente os indivíduos são levados para a interdição ou para o oposto dela, alegando um retorno à natureza. Essa volta à natureza é contrária à transgressão, que, em vez de suprimir a interdição, apenas a suspende, conferindo energia ao erotismo. O erotismo sagrado só poderá ser acessível se for uma experiência interior. Caso apenas a interdição atue, ele será percebido como objeto exterior a nós, e não como um movimento interno do indivíduo. Para que a experiência interior aconteça é necessário um processo dialético em que o confronto entre interdição e transgressão dá origem ao ser renovado.    
http://.tatianflor.vila.bol.com.br/tatiana.html
Publicado em: junho 29, 2007

Comentários sobre O erotismo

Showing 2 out of 2   Adicione seu comentário.
  1. 0 Avaliações quinta-feira, 19 de julho de 2007
    1

    century

    O ERRO DE FREUD

    O erotismo é um "efeito" da impetuosidade emotiva do ser, sobre o cérebro, numa das suas variantes: A "agressão" exócrina (cenestesia sexual); A reprodução resulta do encontro imanescente de 2 corpos opostos que se atraem reciprocamente

  2. 0 Avaliações terça-feira, 31 de julho de 2007
    2

    Alexandre

    Sobre a obra de Bataille

    O erotismo não é um tema de fácil abordagem. Georges Bataille trata do assunto, em seu livro, de forma admirável. O resumo segue a mesma linha. É muito bom, parabéns.

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