Essa iniciativa de participação cidadã (ver conceito em TEIXEIRA, 2001) emergiu num contexto social ainda com fortes elementos do coronelismo, de baixa renda per capita e de riqueza concentrada nas mãos de poucas pessoas.
Os quatro municípios estão localizados no centro-oeste da Bahia, onde a Chapada Diamantina alcança o lado direito do Rio São Francisco; possuem uma agricultura de subsistência e
um considerável potencial mineralógico. A aposentadoria rural e o emprego na administração pública municipal também são importantes fontes de renda. (17 a 20% dos habitantes desses municípios recebem benefício de aposentadoria, segundo os gerentes dos Bancos. E 4 a 5% são servidores municipais ou prestam serviço como aos municípios, segundo as prefeituras municipais.).
Um dos mais conhecidos palcos do coronelismo na Bahia, a região traz as marcar de muitos coronéis como Militão Coelho, Douca Medrado, Horácio de Matos..., esse último um dos mais temidos e poderosos do estado. Ele liderou uma investida contra o governo do estadual em 1919 (oficialmente conhecida como “revolução sertaneja”), a qual só foi interrompida por causa da mediação do governo federal e da concessão de duas cadeiras de deputado e senador estadual para o coronel, além de o comando político de 12 municípios da Chapada Diamantina.
Aqui predomina o jeito tradicional de fazer política. O grupo que assume o poder oficial ganha “o cofre das graças e o poder da desgraça.”, como disse Leal (1975). Ele tende a promover, de um lado, o nepotismo e o “apadrinhamento” para os “seus aliados”, e, de outro lado, a perseguição política para os “inimigos”. Isso sustentado por uma cultura política de sujeição, na qual prepondera a indiferença e a hostilidade do cidadão comum em relação ao Estado, a hegemonia do privado sobre o público, enquanto são praticadas e amplamente aceitas como naturais as relações clientelistas, em várias dimensões de vida social (Almond e Verba apud Sani, 1997).
Nesse contexto é necessário um esforço maior que a simples predisposição para participar; é preciso coragem e determinação para se conseguir provar a força que têm os cidadãos organizados
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