Greg Urban discorre sobre a possibilidade de montar, a partir de uma reconstrução das línguas dos
ameríndios, uma
história da cultura brasileira. Este tipo de estudo, garante o autor, forneceria uma possibilidade de certezas (sobre resultados de pesquisas) bastante razoáveis para um período de 4000/5000 anos a.C. até hoje.
Essa certeza sobre resultadas está calcada na quantidade de dados linguísticos que se tem sobre diversas línguas, e no método utilizado (de reconstrução e comparação). Isto já permitiria, de saída, a formulação de hipóteses preliminares: reconstruindo as línguas e comparando-as, seria possível distinguir semelhanças, e, logo, pensar-se em relações, contatos e até mesmo uma história comum. Além disso, permitiria obter uma origem temporal e espacial de grupos que se dispersaram.
Nesse sentido, já se classificou uma série de línguas em famílias: macro-Jê, macro-Tupi; famílias menores; e famílias isoladas, estas, por não possuírem ligação conhecida com outras línguas ou famílias linguísticas, são importantes para se inquirir a respeito das fases mais antigas da História da Cultura, datas anteriores a 4000/5000 anos a.C.; e de certa forma, suas localizações atestam a hipótese das áreas de origem de todas as grandes famílias (cabeceira ou periferia do Amazonas).
É uma técnica trabalhosa e demorada, o autor reclama por pesquisas que vão nessa direção. É um tipo de análise importante, ressalta o autor, porque ao distinguir mudanças no caráter sócio-linguístico, distingue-se de quebra pontos de desenvolvimentos culturais, permitindo uma compreensão mais ampla do estágio cultural do grupo, ou grupos, em questão.
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